julho 14, 2010

Que dia é hoje?

Os pombos realizam conferência

num canto da praça,

em volta de um pedaço de pão.

 

As senhorinhas da melhor idade

alongam e exercitam

seus velhos músculos...

E as crianças,

que na vida ainda estão em seu alvorescer,

São, então, só risada e contradição!

 

E é uma pena que meu ônibus tenha chegado

e eu não possa mais ficar aqui,

fingindo que é domingo.

 

#férias

 

30/03/2010

julho 12, 2010

Intendente Car Street

Que dilema!

Se eu compro um carro,

ganho uma bola.

 

Mas acho que tô na rua errada,

na loja errada!

Porque hoje eu não queria

ter que dirigir até o trabalho.

 

Hoje, eu queria só a bola,

um marzão azul na minha frente

e um espeto de queijo coalho.

 

Que preguiça!

 

#férias

 

30 mar 2010

 

Fernanda O. de Oliveira

  fernandaoxigenio@gmail.com

 

julho 07, 2010

Pedido de Marighela

20 dez 2009

 

Alimento para os que tem fome;

Chuva e rios para os que tem sede;

Alento para os pés cansados.

 

Poesia, para os sonhadores!

 

Dinheiro aos gananciosos.

Vitória aos ambiciosos.

Batalhas aos guerreiros

e ideologias aos filósofos.

 

Dai ao povo o que é do povo

e a Justiça para todos!

junho 30, 2010

Misenscène

Ele me convidou pra comemorarmos uma data imaginária, pra encenar em um palco que é só nosso os atos da peça que nós escrevemos enquanto engolimos as pílulas do cotidiano, na coxia.



As cortinas se abaixam no nosso teatro e a plateia se resume às sombras esmaecidas, à penumbra que o nosso texto exige.



Nossa peça é colaborativa e embora existam inúmeros personagens, o número de atores é reduzido. Somos protagonistas e elenco de apoio, tudo ao mesmo tempo, e só assim é que nossos personagens brilham.



E é quando eu tiro meus oclinhos de professorinha pra ensinar-lhe uma fala ou uma nova técnica que ele se recosta, assiste a meu show, bate palmas em fulgor total!



As cortinas se levantam.



Engolimos mais daquelas pílulas, que embora sejam feitas de rotina, são cheias de pequenas aventuras e risos na madrugada.


"Pra nós dois, sair de casa já é se aventurar..."

#nouveau

#naradiola #navitrola kings of leon_i want you

maio 27, 2010

Post-it

Antes que se acabe o dia
me lembre de apenas uma coisa!
Mesmo que tudo se atribule,
não posso esquecer da poesia.

Pois sem a sua presença,
os dias perdem sua leveza de nuvem
e o tempo é rijo feito pedra.

Sem uma ou duas palavrinhas de amor
A Terra fica como que preenchida
de líquido viscoso e denso
e fica tão difícil de se abraçar!

abril 17, 2010

tarde de sesta

nessa janela acortinada de lusco-fusco
pintada de cânticos entoados
pelos grilos em seresta,
nada é mais alegre, meu amor
que teu sorriso, projetado do meu travesseiro.

abril 07, 2010

Doações aos desabrigados das chuvas

Amigos,
 
nesse momento de calamidade é que podemos nos dar a chance de fazermos a diferença.
Por isso, estou publicando em todos os meus blogs, no dia de hoje, esta notícia do Portal da Prefeitura do Rio, conclamando aos que moram no Rio de Janeiro que façam doações em prol dos nossos irmãos que tanto perderam nas enchentes.
Se há como sermos solidários, não há motivos para dizermos não!
Conto com vocês para a divulgação!
 
Uma boa semana a todos nós, de muita Luz!
 
Beijos mil,
 
Fernanda Oliveira.
 
 
Secretaria Municipal de Assistência Social e Cruz Vermelha fecham parceria

Objetivo é ajudar vítimas das chuvas


07/04/2010


A Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), em parceria com a Cruz Vermelha, está recebendo doações para os desabrigados no município do Rio de Janeiro. O plantão está funcionando durante 24 horas e os donativos devem ser entregues na Praça da Cruz Vermelha, nª 10,  Centro do Rio. As necessidadades mais urgentes são colchonetes, fraldas, alimentos não perecíveis, leite em pó e roupas de cama. Outra parceria, desta vez com a
Empresa Hortifruti, do Espírito Santo, possibilitou a doação de mil cestas básicas e mil colchonetes. As cestas chegam na manhã desta quinta-feira (8) e os colchonetes na sexta-feira (9).

Toda a equipe da assistência social - envolvendo as CAS (Coordenadorias de Assistência Social), os CRAS (Centros de Referência de Assistência Social) e os CREAS ( Centros de Referência Especializados de Assistência Social),
educadores sociais e assistentes socias - está de plantão. Eles trabalham em conjunto com as secretarias de Educação, de Saúde e Defesa Civil, subprefeituras, regiões administrativas e associações de moradores.

As equipes estão no suporte aos abrigos emergenciais, identificando as demandas como doações de roupa, colchonetes, insumos básicos, além do cadastro das famílias para inserção em programas sociais.

FONTE: PORTAL DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO => WWW.RIO.RJ.GOV.BR

 

abril 05, 2010

Quando você não está

Não é que a vida seja insignificante, meu amor.
Não vou falar assim.
Mas é que sem você,
os dias sorriem menos.
Brincam quietinhos na sala,
temerosos da chuva da minha solidão.

março 30, 2010

Canvas

Brigas, jogos, sexo.
Cochilos, faxinas...
Caminhadas.
Noites esparramadas na rede.

Tudo isso é produto de tédio.

A poesia e a arte, essas não!
A poesia é o produto das sinapses que,
como guris serelepes, sorridentes e atentados,
correm e brincam na nossa cabeça.

A poesia é a moldura pro quadro da minha vida.

No Twitter...

Escrevia no ar, sem tinta, sem pena, sem letras. Gostava das coisas simples e dos versos de vento. #curtaconto

março 29, 2010

Da menina que cheirava uma carreira de pó diante dos meus olhos desfocados

Era uma menina bonita
que trabalhava na Vila Mimosa,
e cheirava uma carreira de pó.
E é só.

Que vou eu dizer?
Não posso fazer julgamento,
pois sabe lá qual é o sofrimento
de uma menina bonita
que trabalha na Vila Mimosa.

Pior eu que,
do alto dos dezesseis anos que ostentava
não conseguia olhar nos olhos da realidade,
que me batia na cara.

Questionamento

Não, eu não trouxe carregador pro celular.
Trago comigo carregador pra minha alma:
Poesias de Mário e Cecília.

março 24, 2010

testemunha ocular

Eu os vi, naquelas tardes de domingo, preguiçosamente jogados nos bancos da praça.
Eu os observei, temeroso, enquanto os dedos do rapaz roçavam calidamente as coxas dela, que desacortinavam-se daquela minissaia apertadinha. Suas pernas grossas espreguiçando a cada toque dos dedos queridos e os pézinhos que ritmavam alguma valsinha.
Eu vi os olhares de cumplicidade enquanto teciam sonhos vespertinos.
Eu via brotar de suas bocas artigos de decoração, estantes de livros, amparos para pratos, lençóis brancos trocados a cada três dias pelo excesso de uso.
Eu via um cachorro imaginário lhes rodeando e se coçando por falta de banho, e um gato tão preguiçoso quanto os donos a fofocar na janela, enquanto eles liam livros que lhes havia roubado a manhã na praia.
No chão, folhas e cadernos jogados às pressas, porque estudar é preciso, mas amar é maior do que isso.
Sempre se arranja tempo pra amar, e pra roçar os dedos entre as pernas dela sem que as crianças da praça vejam, sem que o cachorro peça atenção, sem que o gato mie, sem que o mestrado os enlouqueça...
Eu vi um caminho de liberdade e felicidade que saía das folhas de jornal que carregavam, naquelas tardes de domingo.
Hoje, que já trilharam esse caminho, já não os vejo mais nem a sua vida de imaginação.
Talvez, porque agora eles a vem.

março 19, 2010

Tratado de Paz

Depois da mágoa e da tristeza,
de batalhas travadas e vencidas,
de lambidas e curadas as feridas,
depois do sangue derramado,
da cera queimada, do sono desvelado,
da reza inexprimida nas lágrimas cativas,
depois de todo engodo residente
nas tentativas frustradas de paz,
os soldados não tem mais nome.
Depois da guerra acabada
Os nomes não tem mais rosto.

março 02, 2010

Mural de idéias aleatórias [2]

moto

velocidade

ruptura

abrupto

brusco 

estancar

estagnar (e-gor) 

Que ideias essas palavras te trazem? Eu ainda to processando...
Mas vou ficar satisfeita em ouvir vocês. Vai que me inspiram? Tenho certeza do potencial que meus amigos tem de me inspirar.

Ideia #1: As contribuições dadas vou adicionar ao mural, que serão adicionadas nas próximas produções. Contribua! 

fevereiro 18, 2010

A lágrima escondida

Bate ponto agora,
falta dois pra ir embora.
Prepara o corpo e a alma
Pro ô ô ô ô!
Empurra-empurra na plataforma.
Pastel e caldo na Central
porque o trem atrasou.
E agora, que saco!
Não pode nem fumar
Passa no telão a lei estadual.
Raspa a carteira aí
pra pagar a cerveja,
que com a greve do banco
o salário não entrou.
Pagando imposto e peru de ceia
a gente se aperta,
enquanto malandro anda tranquilo,
cheio de dinheiro na meia.
Então é carnaval!
Deixa eu sambar até me acabar!
Que enquanto eu suar ninguém me vê chorar.


Pra ouvir: http://blip.fm/~liuhb


Obrigada pela inspiração, Ricardo. Acho que caiu bem a música pro que eu sentia.
Se a gente tem liberdade de dizer o que nos insatisfaz, que falemos. Que possamos nos permitir agir também.

janeiro 27, 2010

Maniqueísmo

Ainda não sei
Se é benção ou maldição.

Tem gente que aclama, bate palma
diz ter inveja, queria ser igual.

Não vivo sem estar aqui,
sem isso aqui.
Sem me despejar toda
num ritual de exposição
e limpeza de coração.

Que seria de mim sem isso?
Nunca teria essa leveza.

Mas me diz se é benção ou maldição
escrever poesia ás quatro da manhã
encolhida, mas sem sentir frio
sentindo ela fluir feito um rio?

Porque rio não se pode impedir
Quem poderá a força da água parar?

Não vou me atrever.

Mas então, é benção ou maldição
viver sob um comando de um rio?

janeiro 13, 2010

E agora, amor?

Aqui me ponho em confissão,
pedindo também conselho.
Tem uma menina que me olha
Sorridente, no espelho.

E agora, amor?

Todos os meus versos
estão docemente corrompidos
por essa compleição.
Não há uma letra que não suspire
E contê-las nesse estado de euforia
parece um pecado, uma aberração.

E agora, amor?

Saltar dessa pedra - tão alta
e vencer qualquer vestígio
de medo e apreensão
parece a coisa mais certa.
Não viver esse momento
até que se esvaia a razão
parece irrazoável.

E agora, amor?

Toda noite insone
que eu não passe
a te observar dormir
parece sem sentido.

E agora, amor?

Na vitrola: Sara Bareilles_Gravity

outubro 09, 2009

Reconstrução

De mansinho e a modo quieto
foi juntando tijolinhos.
Com espátula e reboco
foi repondo pouco a pouco o seu eu.

Não avisou ninguém, muito menos quem o alquebrou.
Não queria dar vantagem a ninguém nesta corrida em que o prêmio era ele mesmo.
Tudo o que fora desconotado pelo desamor, o ciúme e o abandono era avocado com cuidado: os amigos, as noitadas, as amigas, as batidas e estampidos da cidade.

A lição que o amor traz
é que nunca se deixa pra trás
o cara que antes vivia sem amor.
Pois ninguém segue adiante
sem relembrar o que passou.

O cansaço corroeu o amor.
Foi como água infiltrada, eferrujando cano velho, e agora é fiação e encanamento, tudo tem que ser trocado!
O amor por ela troca por amor-próprio.

outubro 03, 2009

Pequeno grande mundo

Os membros permanecem anestesiados e a angústia

é crescente.

Os minutos passam com a rapidez de ano, são sobrepostos

veementemente.

Os andarilhos que buscam soluções caminham

penitentes.

Eu corro rua afora, posto que a necessidade de paz ainda é deveras

fremente.


Vou sair por aí, correr mais do que o mundo, pois de repente este se tornou grande demais pra mim...

setembro 30, 2009

Infância



Existe um momento em nossas vidas em que tudo muda.
Não é um evento, não é um ritual.
É como um piscar de olhos, um cometa riscando o céu.
É o primeiro dia da sua vida em que você pica a manga na cozinha em vez de chupá-la no pé.
É o dia em que você percebe que suas pernas estão longas demais e pular amarelinha parece sem propósito. Você quer muito continuar achando graça naquilo, mas suas anotações nos cadernos são diferentes, sua letra e sua voz mudaram.
Seus interesses mudaram.
Você não viu muito bem quando isso ocorreu, não é mesmo?
E não é que algo tenha se perdido, não é que a inocência se perdeu. Que conceito mais simplista esse!
Acontece que você cresceu.
Ali, sentada, comendo filetes de manga.

setembro 24, 2009

Deserto

São bolsas jogadas pelo chão e um excesso de almofadas em cima do sofá.
Bandeiras e estandartes arremessados contra os objetos e arregaçados nas paredes, esperando serem ostentados em alguma manifestação não-pacífica de clamor pela Ordem.
Esta Ordem que não me habita e que eu estou desistindo de encontrar.
Foi-se o tempo da minha busca, houve a época da procura.
Agora me perco com quantidade de imagens, fotos, desenhos e projetos de identidade.Vai ver a melhor saída é esperar tudo tomar vida, e um por um, esperar que esses ícones se encaixem em seu devido lugar.
Um a um.Um a um.Um a um?
Acontece que eu não posso esperar,meu bem!
São muitos discos pra tocar na vitrola, muitos livros pra se ler, muitas fotos a tirar, muitos lugares pra ver, muita gente a conhecer, analisar, internalizar, até que eu possa fazer desse quarto um deserto e me fazer cheia.
Cheia, porém flexível.

E esse papo é tão chato complexo e tá tão longe de acabar!

setembro 15, 2009

Coluna Social

Maria Antônia agora é estrela!

Desde que arranjou um bico como cantora na churrascaria do Seu Rei, assina autógrafos com letra primária pelas esquinas, posou pelada no jornal do bairro e matriculou sua filha em um curso de teatro.

Pubicou em nosso jornal o seguinte classificado:

Precisado violeiro pra acompanhar estrela.
Apareça na churrascaria a partir das 21h.


Que ascensão!

setembro 11, 2009

Faxina

Ontem cuidei de mim.
Hoje cuidei da casa.
E ambos ainda se confundem!
Eu ainda sou minha morada.

agosto 28, 2009

Despedida

“Eu desconfio
que o nosso caso está na hora de acabar
Há um adeus em cada gesto, em cada olhar
Mas não temos é coragem de falar.”
Fim de Caso – Dolores Duran



Meu amor,
Arrumei armários e gavetas da casa, como você pode bem ver.
Precisava reorganizar coisas na minha vida, consequentemente na cabeça e no coração.
Retirei tudo o que era velho, roto, mal-acabado ou mal-começado. Tudo aquilo que já não me causava sensações boas, que não me trazia lembranças alegres.
Vi nossas fotos. Você já reparou que nosso sorriso já não é mais o mesmo?Em algumas ele está mal-acabado. Em outras, nem começado está.
Nosso altar do amor já foi tão bem regado e a ele já dedicamos muito mais devoção.
A carne do nosso desejo já esteve tão melhor fornida. Hoje não preenche nem a superfície do toque de um dedo.
Nosso amor ficou velho e roto.
E é por isso,meu amor, que o nosso caso está na hora de acabar.
Deixa a tua chave embaixo do carpete, porque tirei do armário tudo que era nosso.
Ficou só o que era meu.
Adeus.


Este post foi em resposta ao meme que me foi indicado pela minha xuxu Adrielly.
Ele foi proposto por Daniele Vieira,para que os indicados fizessem uma carta como se rompesse com um certo alguém. A ideia foi inspirada na exposição Cuide de Você, da francesa Sophie Calle, que convidou 104 mulheres para interpretarem um e-mail de seu ex-namorado que gostaria de romper o relacionamento de ambos. As regras do meme são as seguintes:

1.: Escrever uma carta como se você estivesse rompendo com o seu (sua) namorado(a);
2.: Escrever estas regras e uma breve explicação do que é o meme (como a que fiz acima);
3.: Indicar cinco pessoas.
Meus indicados são a Ju, Lu Morena, Natália, Ademar, Dani.
Deixo o mesmo recado que a Adri deixou: sem obrigações,pessoal. Mas achei um bom exercício de escrita. Seria interessante ver o que sairia da cabeça de vocês.
Afinal, não é pra ser tão difícil,né? Quem nunca terminou um relacionamento?
Boa sorte aos indicados, boa leitura aos visitantes e...
...beijos xuxuzentos! =*

agosto 26, 2009

Será o fim?

Foi uma nova era que começou.

Uma nova página que foi virada no livro da Vida.

Além da minha vontade e por fatores externos a minha vontade, inúmeros acontecimentos ocorreram que mudaram a direção da Roda da Vida.

Foi tudo muito fora do meu controle, acredite.Não teve muita coisa que eu pudesse fazer.Aconteceu.Quando vi, estava entregue.Era o momento certo e a pessoa certa que bateu à porta.Ambos estavam ali, me estendendo a mão.Que podia eu fazer senão ...ir?

Nada mudou, na realidade.Eu continuo sentindo o mundo do mesmo jeito e o mundo, por sua vez, ainda me percebe como uma menina galhofeira e intensa.Eu acho.

Outros acontecimentos continuam ocorrendo, outros fatos que direcionam meu pensamento pra aqui e pra acolá.

Mas já reparou como alguns poetas tem seu ápice de inspiração no auge da tristeza, dor e solidão? Coitados deles, tenho muita pena desses tipinhos.Tão patéticos!Aliás, eu sou a rainha da auto-piedade,viu?

Tudo tem um motivo nessa vida.

E isso não é uma decisão.Simplismente, aconteceu.

Eu coloquei a caneta no papel, mas ela não disse nada!Eu falei com a caneta, ela não respondeu.Olhei pro papel e nada eu pude antever ali.

Ocorre que estou feliz.

E isso é ruim para a poesia.A minha poesia, patética e inicial, nasce de um fogo, de uma chama azul e melancólica.

Logo, se a chama que me ocupa é de alegria e compleição, e eu já esgotei isso em mim,não sei o que virá agora.Não sei se virá.Eu esperei, provoquei, procurei.Continuo sem resposta.

A poesia fugiu.

Eis que vejo um caminhão de prosa dobrar a esquina.

Aguardemos.

agosto 22, 2009

Chácara Santa Helena

A Osmar de Oliveira

Uma pena de galo
guarda a pagina da antologia de Cecília.
Uma pena assombrosa
divide meu coração ao meio.

Olhos ladeados de caminhos
abertos pelo tempo
acima de uma boca
que agora me conta
da dor que ficou porque Helena partiu
estão marejados.

Mas parecem aceitar o enfado,
a curva intransponível do destino.
Permanecem ainda encravados
na casa de chão batido
os rastros do amor familar,
legado deixado apesar de tanto desatino.

Meus ouvidos não escutam
nem voz de córrego distante
nem bater de água na represa.
Só sabem de um velho homem sentado à mesa
que nunca se deu por vencido
nem mesmo diante do amor perdido.

São Gabriel d'Oeste, MS, 08 de maio de 2009.

agosto 17, 2009

Boca fechada

Existe tanta coisa a ser dita,
Aconteceram tantos parênteses,
Fechaduras que se abrem
E portas que jamais se fecharão.

Tudo é poesia, mas isso é uma prosa.
Meu amor é prosa, porque existem diálogos. Nossos corações se falam.

Existem momentos,quero me organizar, espaçar tudo na minha mente
porque isso, exatamente isso, eu não posso esquecer.
Não quero esquecer de nada.

Eu tenho tanta coisa pra dizer.

Eu tenho ouvido falar tanto de como o tempo e esvai e como não devemos desperdiçá-lo, de como o amor é sublime e que não devemos desperdiçá-lo também.

Existem tantos parenteses na minha vida, o fato de que cada um tem a sua válvula de escape.

E que que eu preciso dar atenção às minhas.

julho 28, 2009

Samba do amor novo



Qual foi o meu papel
Dentro do livro da sua vida?
Afinal nada fiz pra merecer
O sofrer que você me impôs

Mas agora você há de ver
O meu sorriso renascer
Que amanhã é um outro dia
E eu não estarei mais presa à você.

As cores são mais vivas
E os suspiros mais sinceros,
Pois agora o amor que eu vivo
Não lembra em nada a dor que eu passei.

Meu coração é leve, liberto
Agora baila sem você por perto.
Posto que este amor é um rio novo que nasceu
E em seu leito a vida se espalha de peito aberto.


Sugestão de música: Satisfeito_Marisa Monte

julho 08, 2009

Poema da definição e fuga

Em branco

É cura

É farol na tempestade

Destroços no acidente

Porto com isenção fiscal

Não preciso de desculpas

Pra aportar aqui.

 

Da ignorância, da miséria

Da solidão, da tristeza

Do esquecimento, da angústia

Do medo, da culpa

Do passado, pra tudo há escapatória.

Do teu amor,não há.

 

junho 29, 2009

a menina ferida

Ah! As árvores balançam
na sua passagem
e as folhas festejam tua voz, menina ferida!
O vento gélido até parece
o prenúncio de uma noite atroz,
mas é o conforto das almas cansadas.

Desce a rua a largas passadas,
a menina ferida.
Como se alguém estivesse a lhe esperar.
Como se houvesse quem pudesse
Seu coração sangrento com as mãos abarcar.
Alguém de lábios balsâmicos
para sua ferida aberta beijar.
E lhe curar.
E lhe curar.

Cantarola inocente a menina
e as luzes da rua piscam
num sinal de festa em recepção.
A ferida não é visível ás coisas mundanas,
às intervenções cotidianas.

Somente olhos da alma
Veem a ferida.
Nem todo mundo sabe
da alma-menina aleijada.
Seu sorriso é tão bela cortina!
Quem diria da sua dor-menina?

As piores feridas
São invisíveis aos olhos carnais.

E que será de ti,ferida menina
quando a esperar-te à porta
estiver alguém que vem
pra te beijar, abraçar e curar?

Arrancar-te-á do peito
o coração falido
e curará a ferida
com um fremente bramido?
Um grito, uma ordem tenaz
que mande a dor
para as terras de Nunca Mais?

Ah, menina ferida!
Como do amanhã saberás?


Rio, 08 de junho 2009.

junho 08, 2009

O fim

Recebido o aviso

Corri pro teu socorro

Band-aid eterno do meu coração.

Quis te estender bisturi,

gaze e esparadrapo.

Quis ser teu ombro,

canto pra teu coração-farrapo.

Mas era um arauto teu grito

Dor sem parada

Trem descarrilhado

Tragédia anunciada.

Era o fim.

Referência: Aconteceu_ Marisa Monte

Ouvindo: A Flor_Los Hermanos

Para uma grande amiga

junho 01, 2009

Sapiência



Esta sapiência que eu tenho
desse teu desamor, desse teu fingimento
me dá um desalento
um nó que me aperta por dentro!
É igual vento encanado
quando sai desatinado
chovendo mundo afora.

Te aviso, mas vc não olha...
Um dia, sem demora
chove aqui dentro
e meu coração vai embora.

maio 27, 2009

Retorno

Quando volto pra casa, sempre
Os aparatos da noite se recolhem.
Tudo se acolhe dentro de mim
E vira um espectro da minha memória.

Estão ali os gatos que brincam
As cafeterias, quiosques
As pessoas, tão diferentes
E ao mesmo tempo
Tão iguais entre si.
Tão enfadonhas...

Você também está ali
Com a sua apreciação inquieta
Dentro de olhos tão calmos.

Mas eu não estou mais ali.
Só quando eu me recolher
é que tudo irá embora.

Eu levarei tudo daqui
Quando me for.

maio 14, 2009

Amor perdido

Ainda lembro com saudade
do amor sofrido.
Mas perco as esperanças
porque a oportunidade de ser feliz
fugiu de mim,
sumiu de mim.
Como se eu pastora fosse
de uma res no pasto, perdida.


Campo Novo do Parecis, MT, 05 de maio de 2009.

maio 10, 2009

Canto

Aquele que me desvenda
É aquele que escuta meu canto,
Esta nota abafada e gemida.

Porque a minha existência
É deveras diáfana e fugaz
Para tão somente ela
Definir quem eu sou.

Campo Novo do Parecis, MT, 05 de maio de 2009.
Escrito na capa da Antologia Poética da Cecília Meireles.

maio 09, 2009

Campo de Girassóis




Desencontrada de mim mesma
perambulo pela estrada,
veio vermelho e estreito
aberto no meio do campo esmeraldino.

Pula na minha frente o sol-menino
a tocar algo numa gaita,
uma esquecida toada
que nem ele nem eu sei.

Lá pelas tantas, se vira e me grita:
-Vem, xuxu!

E viram pra ele as cabeças dos girassóis,
buscando nele a Luz.

Campo Novo do Parecis,MT, 01 de maio de 2009.

abril 27, 2009

A primeira tocaia

Viagens entediantes no ônibus renderam mais alguns capítulos pra história da assassina.
Se você quiser entender a estória, leia os posts anteriores, clicando no tag "da assassina" no canto direito da tela.
Espero que seja proveitoso e, mesmo que não seja, deixe seu reflexo. Curiosidade mata! rsrs



São 18:00h.
Alice olha pro alto.
-Olá, Dalva!, ela diz, fixando o olhar na pequena estrela, no alto do céu de Abril.
Faz calor e Alice está ali faz horas, mas ela permanece de tocaia no endereço dado por Luciana.Não pode deixar escapar a oportunidade de ver o seu alvo chegando.
Este serviço estava todo zicado, já pra começo de conversa.
Primeiro, as dúvidas de Luciana. Depois, a ausência de foto do alvo. O computador da menina foi infectado por um vírus e em uma formatação mal feita, sem backup, perdera todas as fotos do namorado.
Com a descrição do cara na memória, Alice aguardava pacientemente.Segundo Luciana, ele tinha viajado à negócios há três dias e voltaria hoje cedo, mas nada do cara "alto, forte, olhos castanhos, cabelos curtos, escuros e com uma tatuagem no braço esquerdo" aparecer.
Telefone. Era Luciana. O cara só vem amanhã.
-Merda, perdi meu dia.

***

O tempo anda nublado e abafado. Salsicha sempre fica preguiçoso quando os dias estão assim e ele ronrona encima do sofá-cama.
Na janela do apartamento, com uma latinha de cerveja na mão e um cigarro na outra, Alice olha pro nada. Ou pro concreto, daria no mesmo.
-Que falta me faz o sol,ás vezes...Queria ir á praia.Amanhã, quem sabe. Né, Salsicha?
Acarinha o gato, que mia baixo, como se respondesse.*
A chave gira na porta.
-O papai chegou!
O gato se contorce no batente da janela.
Alice corre até a porta e pula no colo do visitante assim que ela se abre. Tasca-lha um beijo, seguido de vários outros.
-Ai,ai,ai!, ele reclama, curvando as costas. Unha, unha, unha!
-Fez outra tatuagem?
Ele tira a camisa e mostra um mapa vintage perfeito, com pequenas ilhas, encostas, um navio.
Alice fica estupefata. Teria ele feito isso em sua homenagem?
-Ah, tem tudo a ver comigo,né?, ele diz ao reconhecer o olhar de orgulho e posse dela.
Ele é professor de Geografia.
-É verdade, ela diz, um pouquinho contrariada.Mas não deixa de ter a ver comigo também.
Ela posiciona a bússola que tem gravada no pulso no meio das costas dele, sorrindo furtiva.


*N.A.: Gatos vira-latas são os melhores. Eles correspondem com mais frequência á estímulos externos.
Arrebatada, escrevi a continuação hoje no trabalho. Não pude me conter. Minha agenda do trabalho está toda rabiscada, mas eu estou realizada e completa.E é isso que importa. Eu, feliz e Alice, viva.

Pasmaceira

Os homens ficam tesos
Atônitos no meio da rua
Passeia no meio da Carioca
Uma mulher nua
Peituda e nua.

Corre o ladrão
Com a pasta de uma moça
E eu só observo
Com o resto do ônibus.
Eu quero adivinhar
O que fez do homem ladrão.

Apenas um rapaz
Para o trânsito com a mão
Quando jaz estendido no chão
Um menino atropelado.
Vinha o carro da polícia na contra-mão.

Racha a cara do Brasil no meio
De tanta vergonha
Mas os homens continuam tesos, parados.
Pasmos.

Produto ainda daquela noite de insônia em março. Acho que fui muito boazinha, se for pra falar de vergonha, tanto mais poderia ser dito...
Só escrevo do que sei, do que vejo ou do que sinto.
Basicamente tudo aqui escrito aconteceu. Nem sempre assim, mas mais ou menos assim.

abril 22, 2009

Insônia

A hora só faz passar
e o sono não vai chegar.
Eu só envelheço
Enquanto o relógio
fica a tiquetaquear.

E ainda assim
a vida passa
sem passar.
Ela acontece sem marcar.

E então, pra mim
só resta me culpar.

"Corta a Lua no meio, menina!
Com a espada de São Jorge!
Quem saber assim
O mundo para de girar."

23/03/09

abril 14, 2009

Intimidade

Como pude viver
Um dia que fosse
Sem a inquietude de Carlos
Sem o mar de Cecília
Sem o real de Manuel
Sem o surreal de Clarice?

É tão inesperado e vazio
quanto viver sem o barulho
da minha caneta que,
teimosa, circula o mundo.

E um dia, sem avisar,
se cala.
Se cala.
Com medo, como eu,
se cala.

abril 10, 2009

Medo

Atravessar a rua
Pular o muro
Ouvir música
Abrir a porta, a janela.

Dar esmola,gorjeta
Olhar no olho, sorrir.
Dar um abraço
Um pedaço de pão.

Apertar a mão
Dar as horas
Andar à noite
Andar de dia.

Carregar ouro
Prata, níquel
Papel, mochila
Maconha, dinheiro

Todo mundo tem medo
E mais nada.

23 de março de 2009, aquela noite longa.

E a paz, a paz que dá em escrever...
É como um banho frio no fim do dia, um gole de cerveja bem gelada no verão, um beijo íntimo no auge da carência.

abril 08, 2009

Twitter

Óquei, de novo a maldita insônia.

E eu descobri uma fórmula terrível...

Insônia + curiosidade + laptop = criações tecnológicas sem fim! =/

Desse jeito eu tenho quatro blogs, perfil do orkut, MSN e agora, por pura curiosidade, inventei o tal do Twitter...

Vamos ver se eu curto. Senão, vai ter o mesmo fim dos flogs e flickrs: esquecimento.

Não dá. adoro imagens bonitas, elas até aparecem na minha cabeça, mas não consigo reproduzí-las.

Meu lance é escrever, não adianta, não.
Embora eu reconheça que já pintei algumas coisas, gosto de desenhar...comprei umas telas, pincéis e tintas novas essa semana, eu admito.Pronto, falei.hahaha

Faltam as idéias agora. Estranhamente, penso em livros.Tava pensando na Mulher esqueleto do livro da Clarissa P. Estés.Já ouviram falar desse livro, Mulheres que correm com lobos? Muito bom, toda mocinha devia ler.;)
Só me irrita que ela diz que as mulheres precisam se curar, se encontrar, ela dá dicas, faz uns rodeios, mas não diz exatamente como. Aparentemente, esses processos de cura são diferentes pra cada mulher.

Acho que o meu é esse, escrever.Mas não custa tentar outros...

Enfim, meus xuxus! O link tá ali encima e aqui tb --> __@xuxudrops

Quem tiver essa bagacinha, pode add! Vou adorar! ;)

Ah, quanto às poesias, bem, as últimas estão em outro canto,não estão aqui comigo agora.Estão no diário de papel.Assim que der outra crise de insônia, eu ponho aqui! kkkkkk Não deve demorar muito...

P.S> Devia ter postado isso no xuxucommolho.blogspot.com, mas sei lá, deu uma preguiiiiça.

Beijos, xuxus! Valeu!

abril 07, 2009

O sino da catedral

Os prédios da Cinelândia
assombram os pedestres
e em seu auxílio
vem o sino da catedral.

A apreensão que move o Rio
se acalma com aquele badalar
porém, perdidos estamos
e perdidos permanecemos
mesmo quando toca o sino da catedral.

março 31, 2009

Poema todo errado

Continua chovendo na fazenda de chuchus.
Continuo fazendo fumaça azul.
Continua passando hora
e nada de passar o bonde do sono.

Em nada se pensa,
o pensamento é que me olha
consternado porque vê
que continuo fazendo tudo errado
que nem esse poema
de meio de madrugada
cheio de verso inacabado.

março 29, 2009

diálogo





Eu canto dó
Você diz ré
Você suspira grave
Eu grito sustenido
E assim, só assim
A gente se entende.

Eu não preciso falar
Você não precisa dizer
Você me sabe sem querer
Eu te sei pelo olhar...

Em sinestesia
Você ouve amarelo
Enquanto eu explico vermelho.
Em telepatia
Você dedilha o violão
E eu faço poesia.

março 25, 2009

Produtos da Insônia

Oi, xuxus!

Poxa, queria agradecer o carinho e atenção de várias pessoas...
Obrigada, aos queridos que me seguem, que lêem e comentam, eu curto muito! E é muito gostoso ler o que vcs escrevem! É uma maneira de participar de quem vcs são, do que sentem e fazem. É estranho esse negócio de amizade virtual, mas eu acho possível, sim.

Tem gente que namora online, não tem? Por que não poderia sentir carinho por essas pessoas que sempre me apóiam, dão uma palavra amiga, decifram as minhas poesias, se divertem com os contos, e eu com os seus contos, poesias, dilemas...

A linguagem nos une.

Ultimamente, a insônia tem me pego de jeito.
Fico feliz quando consigo dormir antes das duas, três da manhã.
Aparentemente, as palavras querem muito sair e dessa vez, ninguém decidiu tirar par ou ímpar. Elas estão eufóricas, apressadas, ansiosas, não me dão paz. =P

Nem no trabalho, fico quieta.

O resultado disso foram quase dez poesias em dois dias, ou mais...ainda tenho que contar. rsrs

Então, xuxus, preparem-se. Vai rolar uma enxurrada. hahaha

Sempre fico tão feliz quando rolam esses surtos criativos...tô ansiosa pra dividir com vcs!

Enfim, senti muita vontade de dizer isso:

Obrigada! Adoro vcs!

março 17, 2009

A jangada




Quebrando as ondas de vidro
altiva e orgulhosa,
segue a jovem jangada.

Balança as velas ao vento
regozijando cada rajada
como se pente fosse
para o cabelo de uma bela guria.

O balançar do mar,
paterno, protetor
rebola a jangada
que se abandona
no seu sacolejar.

Tornam-se um, jangada e mar
e já não disputam, não competem.
Pois ela entende, sabiamente
que só assim pode avançar.

Só assim vai além-mar.

A cor do céu





Já pensei uma tarde inteira
Já deixei de dormir
Já sonhei e acordei
Já dormi feito neném.

Já mandei cartão postal,
carta e presente de Natal
Beijo, SMS, cheiro, chamego, cafuné
Já assumi, fui muito mulher!
Até o que eu mais odeio
Pois é,eu já fiz DR.

Mas não adianta não dá pé!
Que eu já vi que sou step.
Tua fila parou e não anda
nem por decreto.

Mas eu insisto
Porque não dá pra negar
Não desiste de mim, não!
Que só de pensar em você
A cor do céu faz mudar.

P.S.: só porque, de novo, pensei em você o dia todo.É tudo culpa sua, tudo culpa sua...

março 14, 2009

Mural de idéias aleatórias

astrolábios


BÚSSOLAS


em busca de novo, inovador, novidade...


completa, enfim.


transição de clima

sair do intimismo


é foda. branco.total.

fevereiro 11, 2009

Auto-estrada




Na eterna busca de mim mesma
permaneço em plena jornada.
Mesmo procurando a esmo
Nunca esmoreço, nunca me canso.
Porque eu posso estar em você,
no vento e na relva
em toda gota de chuva miúda
que sucede a festa do raio.

Eu posso ser orvalho no galho
e a gente que anda apressada nas ruas.
Mas ainda sou pequena, menina e crua,
rusticamente tosca
como pedra detentora de luz fosca,
que ainda não rutila
mas há de brilhar.

Por isso, não me canso.
Ainda me busco.
E como alma criança que sou,
andando pelo caminho,
ainda me distraio, me divirto,
aprendo atalho e labirinto.

janeiro 07, 2009

novos jovens




Queremos tudo
e ao mesmo tempo
abraçar o mundo
com braços grandes, elásticos.

E nessa pressa de crescer
esquecemos o que isso significa
e somos a sombra do que poderíamos ser.
Buscamos ideais sem levantar
acordamos pequenos
mas dormimos grandes?

Queremos respostas
mas não perguntamos.
Criticamos,
mas não nos incomodamos,
fazemos pouco
esperando muito.

Queremos demais.
Desejamos de menos,
Pensamos que o prazer
está na imensidão
quando no fundo sabemos
que jaz em um pequeno ponto de perfeição.

dezembro 29, 2008

ensaio

Quero descobrir você
e pouco a muito
gradualmente
montar as peças do mosaico
que forma tua espécie.

Quero as cenas, as músicas
as letras e sussurros
que arrepiam a tua nuca
e criam as conexões exatas
do teu cérebro.

Absorvendo tudo e assimilando
cada detalhe microscópico
será possível que venha a compreender
a complexidade do teu cosmos
que tanto intriga esse meu
ego escorpiano?

E sem nada dizer
Chegar o dia em que eu possa
apenas fazer um contato visual
um relance só de olhar
que possa me fazer entender
o que você quer de mim
e desse nosso momento, agora.

dezembro 28, 2008

Ônibus inspirador

On the bus alread
Got no one to tell
I'm going home
But I don't care
Cuz I'm so much better
On my own.

Cuz I'm gonna spread my clothes
On the floor
And sing till
My lungs no longer exist

And when my body
Can resist no more
I'll be happilly in bed
And sound asleep

dreaming of better days than these
even thoug these are blessed days
For i am young and very much alive,
thank you.

Do u even care about it?

novembro 30, 2008

a volta pra mim




Tudo traz a saudade perene
Que eu tenho de mim mesma,
porque eu estou nos montes,
nas fendas, nos campos,
nos bichos, nas árvores
nos rios que correm, baixinho.
Nas cachoeiras que rasgam
meu ventre terreno e vermelho.
Nos sorrisos antigos e amigos.
Nas lembranças de infância
e de quando em quando
eu tenho que voltar pra mim.

Que saudade de mim!

novembro 26, 2008

Sem trava




cerveja cigarro mojito tequila
segura a onda menina!
cortina de fogo esconde desilusão
mas não cura fissura de coração.

beijo triplo
pega menina
perde a moral
esquece a chave
pula o muro
choca o mundo
assusta o vizinho
o único bálsamo é a música!

um beck pra voar
a noite toda fora
não há ressaca que água não cure.
mènage à trois
ainda tá pra nascer homem que ature!

novembro 24, 2008

Balé




Cada movimento seu
corresponde a um carinho meu.
Nesse balé de mãos e bocas
E susurros de palavras loucas
Me perco, me entrego
Renego todo e qualquer segredo
Porque se eu sou tua
Sou tua
Sem quê, nem porquê
Hoje eu sou pra você.

novembro 23, 2008

Céu de granito




Nessa tarde de chuva e céu de granito
Só queria querer um perfume, um sorriso
Um abraço, um alguém
Que lançasse meu pensamento ao infinito.

Até este momento tudo esteve tão calmo.
Gotas de chuva e vento frio foram alento
Quando pra uns são sinal de tormento.

É a minha natureza, gostar de uma beleza
Com um toque de aspereza.

Mas e agora, como que eu faço?
Acabei de ver aqui dentro um grande espaço
E tanto lugar deu um certo embaraço...

novembro 22, 2008

Coisa de botequim

Acho que ando muito confusa
Eu só faço o que não quero
E o que eu desejo
Me falta coragem de buscar.

É como se soubesse o que fazer
mas algo me impedisse de andar.

Ontem à noite
Eu não reconheci as esmeraldas saltitantes
Que encontrei do outro lado do bar
Foi como sonho em pesadelo
E o pior foi reconhecer ainda a carícia do teu olhar

Comprovei o incomprovável
E quis muito apresentar mais resultados
Mas uma falsa moral mista com timidez
me impediu
O que era meu deixou de ser
Depois que pelo ócio eu abri mão.

E agora como clamar por um direito
Do qual eu mesma renunciei?

Se algum dia houver ocasião
Peço ao meu pobre coração
Chance de me redimir
Pra que possa haver perdão.

novembro 05, 2008

Poesia do aniversário




O mundo pode ser ainda tão mágico...
Numa esguelha de olhar
Cato um canto de sorriso
No pinga-pinga da goteira
Uma música ressona

Reverberam os pingos de chuva
assim que se soltam do manto azul do céu
Girassóis de plástico têm cheiro
Giram até emitirem luz.

A luz vai e volta
no vai-e-vem do pêlo do gato
deitado sob o sol de lamparina.

E eu, e eu!
Tão egoísta ,perdida em formas e luzes
à beira dos vinte e quatro
volto a ser menina.


P.S.: Vale a pena dormir com a camisa do Led. Mesmo que vc acorde totalmente nua.

Led

Hoje eu vou dormir
com a camisa do Led
porque to precisando
de inspiração pra sonhar.

Nada contra a realidade
mas sonhar traz
tanta permissividade
abre portas pra lugares
que não costumo entrar.

E to querendo coisa nova
direção ou coisa que valha
é foda andar sem parar
e chegar a nenhum lugar.

Toda situação tem seus defeitos
e nada na vida é perfeito
mas uma dama sabe a hora
de se retirar.
Uma garota esperta sabe a hora
de mudar.

novembro 03, 2008

Platéia



Quero aprender com os meus erros
Consumar os meus desejos
Viver a vida do meu jeito
Afinal, to no meu direito
E não preciso de platéia pra aplaudir.

Se eu pedir um conselho
É porque eu sou assim
Não quer dizer que eu não sei
à o que vim.

Eu já fiz muita besteira
Também já disse muita asneira
Mas se errei me corrigi
Portanto, nunca me arrependi.

Se deixo de fazer isso ou aquilo
Não é porque eu tenho receio
É porque hoje eu penso mais
Antes de agir.

E se há algum problema nisso
Eu até posso te ouvir
Mas não pense você
Que eu me furto ao direito de discordar.

outubro 24, 2008

Resiliência






Assim como quem não quer nada

Abandona o olhar na onda quebrada.

Justapõe problema e solução

E faz de conta que tudo não passa

De uma mera criação.

Foi bobagem, foi besteira!

Pra quê tanta aspereza

Se a gente pode ponderar

E encarar tudo com leveza?

outubro 22, 2008

Prece





Só vim pedir

Hoje aqui

Um coração de papel.

Nada mais eu quero nesse mundo

Pois não posso mais carregar

No peito este rancor de chumbo.

Vers du pas perdu

Versos dos passos perdidos


Je va me promener
C'est soir
Car je ne peux pas t'attendre.

Je va sortir c'est soir
Car je suis fatigueé maintenant.

Je ne peux pas sonrier.
Je ne peux pas pleurer.
Je peux seulement marcher
Jusque mes pas sont perdu
Parce que tu ne va pas venir aujour'd'hui.

Jamais tu vendrerai, mon nouveau amour?

C'est le matin...
Je suis malade
et je ne peux pas te chercher.
Et je ne sais qui tu est
Mais je t'attendre
Je t'attendre alor
parce que mes pas sont perdu.

Eu vou caminhar essa noite
Porque eu não posso mais te esperar.

Eu vou sair esta noite
Porque estou cansada agora.

Eu não posso mais sorrir.
Eu não posso mais chorar.
Eu só posso andar
até que meus passos estejam perdidos
porque você não vem hoje.

Você nunca virá, meu novo amor?

É de manhã
Estou doente e não posso mais te procurar.
E eu não sei quem você é
mas eu te espero
eu te espero, então.
Porque meus passos estão perdidos.



P.S.: Se alguém falar francês, não me importo com correções. Se alguém falar português, idem. =P

outubro 17, 2008

Chanson des jeunes amourexes

Canção dos jovens apaixonados

C'est plus tard dans la nuit
On va rester ici
et regarder les etoiles.
Et quand tu est tombé amouréux
on va a chez moi
oú je va te serrer dans le bras,
baiser ta bouche rose
et laisser passer une nuit sans rêves.

É tarde da noite
Nós vamos permanecer aqui
e olhar as estrelas.
E quando você estiver apaixonado
a gente vai até a minha casa
onde eu vou te abraçar,
beijar sua boca rosa
e deixar passar uma noite sem sonhos.



No ouvido: Carla Brunni; KT Tunstall; Edith Piaf; Laura Pausini, Andrea Boccelli

setembro 16, 2008

Indicação [2]

Criei um blog em que conto como foram as últimmas viagens que fiz e as dicas que tenho pra dar sobre os respectivos lugares.
Comecei com as últimas férias, que foram Fortaleza.
Afinal, a pessoa precisa de inspiração pra escrever,e não sei o que amo mais: escrever ou viajar.
Tá, escrever. hehehe
Mas acho que pra escrever, no meu caso, é preciso viajar. Nem que seja no mesmo lugar.

qual o seu Destino?

She's not in love

She picks up your late night phone calls
And leads you into existencial discussions
With the same casual look in her eyes
As she chooses pancakes.

And she knows what your dreams means
And how your family can be mean
Holds your hand like you're the last guy
on the face of the Earth.

She picks up boys in front of you
Just to say to you how they're not meaningful
And how you're the only one that matters to her.

And what do you have to say when you spend the night
And she holds on to you so tight you can't breath
And you're still thinking
“That's alright”

But she's no in love with you, boy.
Oh, no
She's not in love with you.
You're just another lousy laid
She had in these past few months.

She's not in love with you, boy.
She's not in love with you.
You're just a buddyfuck with privileges
Tomorrow will be just another day.
Oh,no.

setembro 11, 2008

Canoa Quebrada




Cheguei aqui pra me encontrar
Pela lua-estrela vou me guiar
E se algum dia meu amor me deixar
Ainda vou ter em Canoa
A vaga do mar.

Como um só,
Como um só!
Eu e a vaga do mar, meu bem
Como um só.

Na areia branca meu pé afundar
E das aflições meu coração vou acalmar
Quando o ultimo candeeiro se apagar
A estrelas de Canoa vão brilhar
E eu ainda vou er um beijo pra lembrar
E outro ao adormecer, perto do mar.

Como um só,
Como um só!
Eu e a vaga do mar, meu bem
Como um só.


Como um só,
Como um só!
Eu e a vaga do mar, meu bem
Como um só.

agosto 29, 2008

A Santa Suja

Espera o peregrino Romeu
Beijar-lhe as mãos
Perfumadas de lótus e rosas
Ornada de ouro e velas
Espera o viajante chegar

Ajoelhado e a olhar pra ela
Como que pra uma estrela a desejar
Que mais próxima estivesse
“Santa, vinde meus olhos alumiar!”

Não ores com tanto afinco
Romeu, latim vais desperdiçar!
A santa é suja e despreza
Todo o teu suplicar!

Tem nas mãos a morte,
a miséria e o mendigar
Traz nas rosas a mentira
E o perfume enxofre vai virar!

agosto 24, 2008

Indicação

Leiam isso, por favor.
Abracem alguém hoje, por favor.
Amem sempre, por favor.
Sonhem em cada segundo, eu lhes peço.

http://retalhossemtempo.blogspot.com/

Meninos

Ah, meninos!
Gosto das suas cinturas
Sejam elas como forem.
Minto, gosto das suas peles,
Sejam elas da cor que forem.
O que me importa é o cheiro,
Aquele cheiro de "te quero".

Gosto das suas mãos grandes
E dedos finos de pianista,
Quando não daquelas com nós nos dedos,
Nós que eu gosto de morder.
Nós que se formam pela mania de estalar.

As mãos estalam porque são nervosos, neuróticos
Controladores, possessivos, porque amam demais.
Alguns amam demais a si mesmos.

Ah, mas eu gosto quando sorriem!
Ah, quando sorriem...
Quando brincam feito moleques,
Quando correm desengonçados
E falam besteira, só por sorrir.
Eu amo os meninos quando sorriem.

E me apiedo quando choram,
E gozo quando sofrem,
Porque sou doente...
Porque prefiro vê-los assim,
Vulneráveis e cansados,
São mais fáceis de alcançar...

Ah, meninos...

agosto 21, 2008

O engarrafamento

Eram 18:00h e Marco saía do trabalho. Estava exausto. Sentou no ônibus, sem figuras de linguagem que expressassem a fadiga.
Colocou o MP3 no ouvido e fechou os olhos.
O ônibus passou da Praça XI com sofreguidão. O trânsito estava absurdamente lento. Passado o prédio da Univercidade, melhorou e o ônibus seguia o fluxo. Na altura de Vila Isabel, parou tudo novamente. Os ônibus, carros e vans enfileiravam-se, tornando seus passageiros mais íntimos visualmente do que talvez gostariam.
Tocava Lulu Santos. Ele cantarolava dentro da sua cabeça, tranquilamente, até que virou o rosto e no ônibus ao lado, quase vazio, viu sentado uma loirinha magrinha e delicada, ajeitando fones de ouvido, deliciosamente apertadinha em um vestidinho de bolinhas cintado. Ela abria e fechava a boca, como que cantando pra si mesma.
Ouvindo na cabeça a sua música, distinguia na boca dela as mesmas palavras:

“ Eu gosto tanto de vocẽ
Que até prefiro esconder
Deixa assim ficar subentendido
Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor intenção de acontecer.”

Quando a loirinha se virou, ele cantarolava a parte do “pode até parecer fraqueza”.Ela sorriu.
Ela sorriu!, ele pensou consigo mesmo, sentindo-se sortudo.
Ele sorriu e disse o “pois que seja fraqueza, então.”
Ela riu,
Ele puxou de um caderno e mostrou pra ela, escrito: “Temos várias coisas em comum!”
Ela fez uma cara de interrogação.
Ele virou a página.
“Estamos presos no mesmo engarrafamento.”
Ela fez que sim,
“ E gostamos da mesma música.”
Ela sorriu de novo.
“Podíamos ter mais uma coisa em comum.”
Ela fez uma carinha safada de questionamento, outra vez, sorrindo mais dessa vez.
“Podíamos ambos saber o número do seu telefone!”
Ela riu. Ele quase podia ouví-la gargalhar.
Com os dedinhos, ela mostrou cada número, enquanto ele anotava no caderno.
Ele mandou um SMS.
“Em casa, te ligo, e canto as músicas do Lulu no seu ouvido.”
=) , ela respondeu.
Rá, ele pensou.

agosto 18, 2008

A fama é um espelho de duas faces.

Mal chegou na Pça Tiradentes, arrancou o casaco. O inverno carioca é ameno demais, pensou.Imagino como deve estar Friburgo a essa hora.

Foi até o Largo da Carioca e encontrou uma amiga em uma loja de sucos.

Maryeva era puta e trabalhava na Atlântica pra um cara que tinha inúmeros sobrados na Lapa e alguns apartamentos também. Um deles, Maryeva dividia com uma colega, de quem Alice não gostava, sem saber o motivo. Seu santo só não batia com o dela.

Na dúvida, sempre confiava na sua intuição. Foi assim que se safou de muita roubada, então, era melhor não bulir com aquela lá.

Maryeva bebia um suco de morango, sua fruta favorita, enquanto contava do Arnaldo, o senhorio e patrão:

“O filho da puta pegou todo o meu faturamento de ontem, sem nem perguntar nada, porque eu atrasei o pagamento do aluguel, e ainda me disse – bebeu um gole do suco e resfolegou, indignada – que tava me fazendo um favor, por me cobrar tão barato...Bicha enrustida do caralho.” , disse ela baixinho, o que não evitou que um cara de meia idade e engravatado lançasse um olhar de desaprovação em direção a Maryeva, seguido de um olhar de análise ao seu corpo violão.

Alice reparou no coroa, o que chamou a atenção de Maryeva, que olhou pra trás e ao notar que o homem a olhava com desejo entubado com sanduíche seco, sorriu safada e maliciosa como uma vaga do mar.

O homem engoliu o sanduíche inteiro, como que envergonhado e com pressa, sentindo o peso de uma aliança no dedo anular e o olhar de questionamernto dos outros convivas da loja de sucos.

“Trouxa.”

Alice sorriu.

“Escuta, vou lá em Laranjeiras. Uma guria me ligou dizendo que ouviu falar de mim e quer me contratar.”

Maryeva ergueu uma sobrancelha entre um gole e outro. “Tá ficando famosa tu, heim?”, gargalhou de um jeito gostoso, mais gostoso do que ela própria.

“É, não sei se isso é tão bom.”, disse Alice, com um olhar preocupado e a voz baixa.

“Porra, garota. Melhor que passar bagulho, não?”

“Pode ser. Fica com a minha chave -Alice mudou de tom – e passa lá mais tarde. Eu preciso que você dê comida pro Salsicha.”

“Uhum, fica tranquila.”

Chegando à Rua Laranjeiras, Alice procurou o número dado pela garota que ligou.”Eu preciso que você resolva um problema pra mim, uma piranha qualquer, vagabunda mesmo.Quero que você se livre dela.”

“Eu só me dou ao trabalho se a criatura não presta mesmo, entendeu?”

“Sim.Te espero às três.”

A garota era bonita, se vestia como uma menina comum da zona sul, como que pronta pra ir à praia pra um passeio.Foi o que fizeram, deram um passeio pelas ruas do bairro.

Nesse interim, Luciana, como se chamava, explicou que tinha um namorado há dois anos, que era igual a todos os outros homens.Era dedicado, e talvez a amasse, mas dava suas escapadas. Mas a garota dessa vez parecia ter cativado o rapaz além do aceitável, pois ela estava se sentindo trocada.E estava sendo trocada.Ele já deixava de estar com ela pra estar com a outra,e isso durava meses.

Luciana precisava saber de quem se tratava, e a queria longe. Talvez uma boa surra resolveria a situação.

“Olha só, não sou dessas coisas. Não gosto de ver ninguém sofrendo. E me recuso a gastar mais de uma bala.”

Luciana se calou.

“Pensa bem. Não é isso que vocẽ quer.”

“Não!”, Luciana deu um salto, “É sim, quero me livrar dela. Não suporto a idéia de ele amar alguém mais do que eu.Isso é impossível, inaceitável, entende?”

Ela tem apenas 19 anos, pensou Alice.Mas tem dinheiro,E eu preciso comprar ração pra gato.

“Metade agora, metade depois que eu descobrir quem é a outra.Isso se vocẽ quiser continuar com isso.”

Alice perscrutou a menina, que devolveu um olhar gélido.

“Fechado.”

julho 16, 2008

Ás minhas irmãs

Aqui eu me deito
Neste leito que já foi teu.
Deste corpo não usufrui mais,
esse corpo que já foi teu.

Destas posses não se gaba mais,
perdido amor meu.
Posto que perdeu-se o coração
outrora por ti habitado.

Vaga perdido o amor
e o antes luminoso desejo,
agora embarcado em navios de trevas.
Recai sobre as mulheres da casa
a antiga praga.

Qual foi a ancestral
que nos condenou a tal funesto destino?
Abandonadas pelo amor,
que perdeu-se na demência
e calado foi pela ira e o ciúme desmedido!

julho 14, 2008

Fumaça azul

Cumprimento minha velha companheira
enquanto me pergunto
onde deixei a caneta.

As palavras querem sair
mas ainda estão escolhendo quem vai primeiro.
Tiram par ou ímpar na porta da cabeça.

E a fumaça azul sobe...
Inspiro-a,
expiro as partidas de vôlei que não jogo mais.

Inspiro lembranças
e expiro a dor do tornozelo torcido.

Foi-se o último portador da fumaça azul
que restava no maço.

Restaram lembranças inúmeras pra respirar.

Do ódio

A minha caneta
É a minha melhor arma.
Fodam-se as facas lindas e brilhantes
Que eu adquiri a bom preço
E as minhas pistolas.

Eu me tornei uma psicótica,
uma ameaça á sociedade
por sua causa.

Mas eu não te culpo.
Nunca te culparia.
Nada é sua culpa, além do vazio.
O vazio é sua culpa.

A minha cegueira é sua culpa
A minha falta de tato é sua culpa.

Ah!

A minha Glock está na cabeceira
Esperando ser usada,
esperando por alguém
que não saiba o que dizer.

Frustração

18:00 h.
Melhor levantar, ela pensou.
A cabeça doía de leve enquanto suspendia pesadamente o corpo. Era como se a levantassem com um guindaste, tamanha a preguiça.
Pra uma pessoa tão cheia de energia, se considerava muito preguiçosa pra acordar.
O cansaço matava, ou melhor, a lembrava de que estava viva. E considerando algumas circunstâncias, isso era bom. Já tinha passado muito perrengue nessa vida.
Porém, por mais que o corpo não obedecesse aos seus comandos, a mente, a sua memória implacável, lembrava que hoje era preciso levantar.Hoje tem trabalho, disse pra si mesma, em voz alta.Não importa o quanto você bebeu ontem, sua vadia.Hora de levantar.
No banheiro minúsculo de ladrilhos azuis, bochechou com água da torneira. Tomada pela ressaca, bebeu um gole da bica mesmo.
Depois do banho, voltava a ser um ser humano e lembrava que era do sexo feminino. Óleo pro corpo, creme pro rosto, maquiagem de olhos marcados e boca de gloss.
Fez um sanduíche, vestiu um pretinho báscio. Bolsa-carteira, botas e trench-coat de couro fake preto e se sentia mulher de novo.

(continuará)

junho 06, 2008

Tonight

Lying in my bed is what I do best
To think of whatever's gone
Or for a nice night of sex.

Never knew life different than this
Maybe that's why I'm so limited
To the same random feelings.
I get scared when it hits me

When I know my steps feel smoother
And my head gets heavier
I get terrified
I'm paralysed.

You get me movin'
You make me wonder
You got me wishing
For the best, for the best.

Day by day
I see new cenes
More colorful and brighter pics
I've got a new way to pick
And I get myself thinking
"What the fuck!"

I don't care if tomorrow
Things will be different
I actually don't mind changing anymore.
I see it in a different aspect,
I see it in a better frame.

Because
You got me movin'
You make me wonder
You got me wishing
For the best, for the best
Tonight.

abril 14, 2008

Lições

Se há pequenas coisas
Que eu vim a compreender
De algumas eu posso dispor
Nesse momento.

Nem todas são palavras de nobreza
e a maioria formam um compêndio
que obtive em momentos de vergonha
e total humilhação.

Mas a primeira e mais sábia
é que só o modesto e humilde
que se rebaixar mais
é capaz de aprender algo.

A segunda lição é o respeito.
Respeito ao tempo,
pois quem o desvaloriza
perde um grande aliado
para todas as batalhas
e é incapaz de verificar
o momento certo dos acontecimentos.

Há horas para a ira,
para a fúria,
o desprezo,
o carinho,
o desespero,
o perdão.

A terceira, mas não menos importante
é que a vida não se guia pelo amor
e nunca se guiou.
A força motriz dos humanos
é o poder e sempre foi.

E ainda o será
enquanto eu, você e todos nós
existirmos na face deste planeta...

abril 12, 2008

My love, my soldier

My love was a soldier
As brave as one can be.
He was noble and kind,
dedicated to his work
and focused on good.

Whatever a girl could ask
from a man,
that man had to offer.

My love was exclusive,
and as blind as it can be.
My love was my hero,
and our story as romantic as it could be.

Our mornings seemed to be from novels,
And our nights from dirty magazines.

Every morning he returned to the field,
fighting for ideals as unbeatable as our love.

He fought so hard, carried on by my love,
that he became a general.

My love was a great general,
full of power and wisdom.
But at once power overcame wisdom
And love was outshaded by despite.

No need to tell my desapointment,
and the fall of Our empire.

I fled in fear
As he destroyed paths to me and others,
sacked villages and murdered children, all at once.

And now that he's back to being just a just soldier
I can't forget the general and its path of blood.

Refletidos