março 30, 2010

Canvas

Brigas, jogos, sexo.
Cochilos, faxinas...
Caminhadas.
Noites esparramadas na rede.

Tudo isso é produto de tédio.

A poesia e a arte, essas não!
A poesia é o produto das sinapses que,
como guris serelepes, sorridentes e atentados,
correm e brincam na nossa cabeça.

A poesia é a moldura pro quadro da minha vida.

No Twitter...

Escrevia no ar, sem tinta, sem pena, sem letras. Gostava das coisas simples e dos versos de vento#curtaconto

março 29, 2010

Da menina que cheirava uma carreira de pó diante dos meus olhos desfocados

Era uma menina bonita
que trabalhava na Vila Mimosa,
e cheirava uma carreira de pó.
E é só.

Que vou eu dizer?
Não posso fazer julgamento,
pois sabe lá qual é o sofrimento
de uma menina bonita
que trabalha na Vila Mimosa.

Pior eu que,
do alto dos dezesseis anos que ostentava
não conseguia olhar nos olhos da realidade,
que me batia na cara.

Questionamento

Não, eu não trouxe carregador pro celular.
Trago comigo carregador pra minha alma:
Poesias de Mário e Cecília.

março 24, 2010

testemunha ocular

Eu os vi, naquelas tardes de domingo, preguiçosamente jogados nos bancos da praça.
Eu os observei, temeroso, enquanto os dedos do rapaz roçavam calidamente as coxas dela, que desacortinavam-se daquela minissaia apertadinha. Suas pernas grossas espreguiçando a cada toque dos dedos queridos e os pézinhos que ritmavam alguma valsinha.
Eu vi os olhares de cumplicidade enquanto teciam sonhos vespertinos.
Eu via brotar de suas bocas artigos de decoração, estantes de livros, amparos para pratos, lençóis brancos trocados a cada três dias pelo excesso de uso.
Eu via um cachorro imaginário lhes rodeando e se coçando por falta de banho, e um gato tão preguiçoso quanto os donos a fofocar na janela, enquanto eles liam livros que lhes havia roubado a manhã na praia.
No chão, folhas e cadernos jogados às pressas, porque estudar é preciso, mas amar é maior do que isso.
Sempre se arranja tempo pra amar, e pra roçar os dedos entre as pernas dela sem que as crianças da praça vejam, sem que o cachorro peça atenção, sem que o gato mie, sem que o mestrado os enlouqueça...
Eu vi um caminho de liberdade e felicidade que saía das folhas de jornal que carregavam, naquelas tardes de domingo.
Hoje, que já trilharam esse caminho, já não os vejo mais nem a sua vida de imaginação.
Talvez, porque agora eles a vem.

março 19, 2010

Tratado de Paz

Depois da mágoa e da tristeza,
de batalhas travadas e vencidas,
de lambidas e curadas as feridas,
depois do sangue derramado,
da cera queimada, do sono desvelado,
da reza inexprimida nas lágrimas cativas,
depois de todo engodo residente
nas tentativas frustradas de paz,
os soldados não tem mais nome.
Depois da guerra acabada
Os nomes não tem mais rosto.

março 02, 2010

Mural de idéias aleatórias [2]

moto

velocidade

ruptura

abrupto

brusco 

estancar

estagnar (e-gor) 

Que ideias essas palavras te trazem? Eu ainda to processando...
Mas vou ficar satisfeita em ouvir vocês. Vai que me inspiram? Tenho certeza do potencial que meus amigos tem de me inspirar.

Ideia #1: As contribuições dadas vou adicionar ao mural, que serão adicionadas nas próximas produções. Contribua! 

fevereiro 18, 2010

A lágrima escondida

Bate ponto agora,
falta dois pra ir embora.
Prepara o corpo e a alma
Pro ô ô ô ô!
Empurra-empurra na plataforma.
Pastel e caldo na Central
porque o trem atrasou.
E agora, que saco!
Não pode nem fumar
Passa no telão a lei estadual.
Raspa a carteira aí
pra pagar a cerveja,
que com a greve do banco
o salário não entrou.
Pagando imposto e peru de ceia
a gente se aperta,
enquanto malandro anda tranquilo,
cheio de dinheiro na meia.
Então é carnaval!
Deixa eu sambar até me acabar!
Que enquanto eu suar ninguém me vê chorar.


Pra ouvir: http://blip.fm/~liuhb


Obrigada pela inspiração, Ricardo. Acho que caiu bem a música pro que eu sentia.
Se a gente tem liberdade de dizer o que nos insatisfaz, que falemos. Que possamos nos permitir agir também.

janeiro 27, 2010

Maniqueísmo

Ainda não sei
Se é benção ou maldição.

Tem gente que aclama, bate palma
diz ter inveja, queria ser igual.

Não vivo sem estar aqui,
sem isso aqui.
Sem me despejar toda
num ritual de exposição
e limpeza de coração.

Que seria de mim sem isso?
Nunca teria essa leveza.

Mas me diz se é benção ou maldição
escrever poesia ás quatro da manhã
encolhida, mas sem sentir frio
sentindo ela fluir feito um rio?

Porque rio não se pode impedir
Quem poderá a força da água parar?

Não vou me atrever.

Mas então, é benção ou maldição
viver sob um comando de um rio?

janeiro 13, 2010

E agora, amor?

Aqui me ponho em confissão,
pedindo também conselho.
Tem uma menina que me olha
Sorridente, no espelho.

E agora, amor?

Todos os meus versos
estão docemente corrompidos
por essa compleição.
Não há uma letra que não suspire
E contê-las nesse estado de euforia
parece um pecado, uma aberração.

E agora, amor?

Saltar dessa pedra - tão alta
e vencer qualquer vestígio
de medo e apreensão
parece a coisa mais certa.
Não viver esse momento
até que se esvaia a razão
parece irrazoável.

E agora, amor?

Toda noite insone
que eu não passe
a te observar dormir
parece sem sentido.

E agora, amor?

Na vitrola: Sara Bareilles_Gravity

outubro 09, 2009

Reconstrução

De mansinho e a modo quieto
foi juntando tijolinhos.
Com espátula e reboco
foi repondo pouco a pouco o seu eu.

Não avisou ninguém, muito menos quem o alquebrou.
Não queria dar vantagem a ninguém nesta corrida em que o prêmio era ele mesmo.
Tudo o que fora desconotado pelo desamor, o ciúme e o abandono era avocado com cuidado: os amigos, as noitadas, as amigas, as batidas e estampidos da cidade.

A lição que o amor traz
é que nunca se deixa pra trás
o cara que antes vivia sem amor.
Pois ninguém segue adiante
sem relembrar o que passou.

O cansaço corroeu o amor.
Foi como água infiltrada, eferrujando cano velho, e agora é fiação e encanamento, tudo tem que ser trocado!
O amor por ela troca por amor-próprio.

outubro 03, 2009

Pequeno grande mundo

Os membros permanecem anestesiados e a angústia

é crescente.

Os minutos passam com a rapidez de ano, são sobrepostos

veementemente.

Os andarilhos que buscam soluções caminham

penitentes.

Eu corro rua afora, posto que a necessidade de paz ainda é deveras

fremente.


Vou sair por aí, correr mais do que o mundo, pois de repente este se tornou grande demais pra mim...

setembro 30, 2009

Infância



Existe um momento em nossas vidas em que tudo muda.
Não é um evento, não é um ritual.
É como um piscar de olhos, um cometa riscando o céu.
É o primeiro dia da sua vida em que você pica a manga na cozinha em vez de chupá-la no pé.
É o dia em que você percebe que suas pernas estão longas demais e pular amarelinha parece sem propósito. Você quer muito continuar achando graça naquilo, mas suas anotações nos cadernos são diferentes, sua letra e sua voz mudaram.
Seus interesses mudaram.
Você não viu muito bem quando isso ocorreu, não é mesmo?
E não é que algo tenha se perdido, não é que a inocência se perdeu. Que conceito mais simplista esse!
Acontece que você cresceu.
Ali, sentada, comendo filetes de manga.

setembro 24, 2009

Deserto

São bolsas jogadas pelo chão e um excesso de almofadas em cima do sofá.
Bandeiras e estandartes arremessados contra os objetos e arregaçados nas paredes, esperando serem ostentados em alguma manifestação não-pacífica de clamor pela Ordem.
Esta Ordem que não me habita e que eu estou desistindo de encontrar.
Foi-se o tempo da minha busca, houve a época da procura.
Agora me perco com quantidade de imagens, fotos, desenhos e projetos de identidade.Vai ver a melhor saída é esperar tudo tomar vida, e um por um, esperar que esses ícones se encaixem em seu devido lugar.
Um a um.Um a um.Um a um?
Acontece que eu não posso esperar,meu bem!
São muitos discos pra tocar na vitrola, muitos livros pra se ler, muitas fotos a tirar, muitos lugares pra ver, muita gente a conhecer, analisar, internalizar, até que eu possa fazer desse quarto um deserto e me fazer cheia.
Cheia, porém flexível.

E esse papo é tão chato complexo e tá tão longe de acabar!

setembro 15, 2009

Coluna Social

Maria Antônia agora é estrela!

Desde que arranjou um bico como cantora na churrascaria do Seu Rei, assina autógrafos com letra primária pelas esquinas, posou pelada no jornal do bairro e matriculou sua filha em um curso de teatro.

Pubicou em nosso jornal o seguinte classificado:

Precisado violeiro pra acompanhar estrela.
Apareça na churrascaria a partir das 21h.


Que ascensão!

setembro 11, 2009

Faxina

Ontem cuidei de mim.
Hoje cuidei da casa.
E ambos ainda se confundem!
Eu ainda sou minha morada.

agosto 28, 2009

Despedida

“Eu desconfio
que o nosso caso está na hora de acabar
Há um adeus em cada gesto, em cada olhar
Mas não temos é coragem de falar.”
Fim de Caso – Dolores Duran



Meu amor,
Arrumei armários e gavetas da casa, como você pode bem ver.
Precisava reorganizar coisas na minha vida, consequentemente na cabeça e no coração.
Retirei tudo o que era velho, roto, mal-acabado ou mal-começado. Tudo aquilo que já não me causava sensações boas, que não me trazia lembranças alegres.
Vi nossas fotos. Você já reparou que nosso sorriso já não é mais o mesmo?Em algumas ele está mal-acabado. Em outras, nem começado está.
Nosso altar do amor já foi tão bem regado e a ele já dedicamos muito mais devoção.
A carne do nosso desejo já esteve tão melhor fornida. Hoje não preenche nem a superfície do toque de um dedo.
Nosso amor ficou velho e roto.
E é por isso,meu amor, que o nosso caso está na hora de acabar.
Deixa a tua chave embaixo do carpete, porque tirei do armário tudo que era nosso.
Ficou só o que era meu.
Adeus.


Este post foi em resposta ao meme que me foi indicado pela minha xuxu Adrielly.
Ele foi proposto por Daniele Vieira,para que os indicados fizessem uma carta como se rompesse com um certo alguém. A ideia foi inspirada na exposição Cuide de Você, da francesa Sophie Calle, que convidou 104 mulheres para interpretarem um e-mail de seu ex-namorado que gostaria de romper o relacionamento de ambos. As regras do meme são as seguintes:

1.: Escrever uma carta como se você estivesse rompendo com o seu (sua) namorado(a);
2.: Escrever estas regras e uma breve explicação do que é o meme (como a que fiz acima);
3.: Indicar cinco pessoas.
Meus indicados são a Ju, Lu Morena, Natália, Ademar, Dani.
Deixo o mesmo recado que a Adri deixou: sem obrigações,pessoal. Mas achei um bom exercício de escrita. Seria interessante ver o que sairia da cabeça de vocês.
Afinal, não é pra ser tão difícil,né? Quem nunca terminou um relacionamento?
Boa sorte aos indicados, boa leitura aos visitantes e...
...beijos xuxuzentos! =*

agosto 26, 2009

Será o fim?

Foi uma nova era que começou.

Uma nova página que foi virada no livro da Vida.

Além da minha vontade e por fatores externos a minha vontade, inúmeros acontecimentos ocorreram que mudaram a direção da Roda da Vida.

Foi tudo muito fora do meu controle, acredite.Não teve muita coisa que eu pudesse fazer.Aconteceu.Quando vi, estava entregue.Era o momento certo e a pessoa certa que bateu à porta.Ambos estavam ali, me estendendo a mão.Que podia eu fazer senão ...ir?

Nada mudou, na realidade.Eu continuo sentindo o mundo do mesmo jeito e o mundo, por sua vez, ainda me percebe como uma menina galhofeira e intensa.Eu acho.

Outros acontecimentos continuam ocorrendo, outros fatos que direcionam meu pensamento pra aqui e pra acolá.

Mas já reparou como alguns poetas tem seu ápice de inspiração no auge da tristeza, dor e solidão? Coitados deles, tenho muita pena desses tipinhos.Tão patéticos!Aliás, eu sou a rainha da auto-piedade,viu?

Tudo tem um motivo nessa vida.

E isso não é uma decisão.Simplismente, aconteceu.

Eu coloquei a caneta no papel, mas ela não disse nada!Eu falei com a caneta, ela não respondeu.Olhei pro papel e nada eu pude antever ali.

Ocorre que estou feliz.

E isso é ruim para a poesia.A minha poesia, patética e inicial, nasce de um fogo, de uma chama azul e melancólica.

Logo, se a chama que me ocupa é de alegria e compleição, e eu já esgotei isso em mim,não sei o que virá agora.Não sei se virá.Eu esperei, provoquei, procurei.Continuo sem resposta.

A poesia fugiu.

Eis que vejo um caminhão de prosa dobrar a esquina.

Aguardemos.

agosto 22, 2009

Chácara Santa Helena

A Osmar de Oliveira

Uma pena de galo
guarda a pagina da antologia de Cecília.
Uma pena assombrosa
divide meu coração ao meio.

Olhos ladeados de caminhos
abertos pelo tempo
acima de uma boca
que agora me conta
da dor que ficou porque Helena partiu
estão marejados.

Mas parecem aceitar o enfado,
a curva intransponível do destino.
Permanecem ainda encravados
na casa de chão batido
os rastros do amor familar,
legado deixado apesar de tanto desatino.

Meus ouvidos não escutam
nem voz de córrego distante
nem bater de água na represa.
Só sabem de um velho homem sentado à mesa
que nunca se deu por vencido
nem mesmo diante do amor perdido.

São Gabriel d'Oeste, MS, 08 de maio de 2009.

agosto 17, 2009

Boca fechada

Existe tanta coisa a ser dita,
Aconteceram tantos parênteses,
Fechaduras que se abrem
E portas que jamais se fecharão.

Tudo é poesia, mas isso é uma prosa.
Meu amor é prosa, porque existem diálogos. Nossos corações se falam.

Existem momentos,quero me organizar, espaçar tudo na minha mente
porque isso, exatamente isso, eu não posso esquecer.
Não quero esquecer de nada.

Eu tenho tanta coisa pra dizer.

Eu tenho ouvido falar tanto de como o tempo e esvai e como não devemos desperdiçá-lo, de como o amor é sublime e que não devemos desperdiçá-lo também.

Existem tantos parenteses na minha vida, o fato de que cada um tem a sua válvula de escape.

E que que eu preciso dar atenção às minhas.

Refletidos