junho 30, 2010

Misenscène

Ele me convidou pra comemorarmos uma data imaginária, pra encenar em um palco que é só nosso os atos da peça que nós escrevemos enquanto engolimos as pílulas do cotidiano, na coxia.



As cortinas se abaixam no nosso teatro e a plateia se resume às sombras esmaecidas, à penumbra que o nosso texto exige.



Nossa peça é colaborativa e embora existam inúmeros personagens, o número de atores é reduzido. Somos protagonistas e elenco de apoio, tudo ao mesmo tempo, e só assim é que nossos personagens brilham.



E é quando eu tiro meus oclinhos de professorinha pra ensinar-lhe uma fala ou uma nova técnica que ele se recosta, assiste a meu show, bate palmas em fulgor total!



As cortinas se levantam.



Engolimos mais daquelas pílulas, que embora sejam feitas de rotina, são cheias de pequenas aventuras e risos na madrugada.


"Pra nós dois, sair de casa já é se aventurar..."

#nouveau

#naradiola #navitrola kings of leon_i want you

maio 27, 2010

Post-it

Antes que se acabe o dia
me lembre de apenas uma coisa!
Mesmo que tudo se atribule,
não posso esquecer da poesia.

Pois sem a sua presença,
os dias perdem sua leveza de nuvem
e o tempo é rijo feito pedra.

Sem uma ou duas palavrinhas de amor
A Terra fica como que preenchida
de líquido viscoso e denso
e fica tão difícil de se abraçar!

abril 17, 2010

tarde de sesta

nessa janela acortinada de lusco-fusco
pintada de cânticos entoados
pelos grilos em seresta,
nada é mais alegre, meu amor
que teu sorriso, projetado do meu travesseiro.

abril 07, 2010

Doações aos desabrigados das chuvas

Amigos,
 
nesse momento de calamidade é que podemos nos dar a chance de fazermos a diferença.
Por isso, estou publicando em todos os meus blogs, no dia de hoje, esta notícia do Portal da Prefeitura do Rio, conclamando aos que moram no Rio de Janeiro que façam doações em prol dos nossos irmãos que tanto perderam nas enchentes.
Se há como sermos solidários, não há motivos para dizermos não!
Conto com vocês para a divulgação!
 
Uma boa semana a todos nós, de muita Luz!
 
Beijos mil,
 
Fernanda Oliveira.
 
 
Secretaria Municipal de Assistência Social e Cruz Vermelha fecham parceria

Objetivo é ajudar vítimas das chuvas


07/04/2010


A Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), em parceria com a Cruz Vermelha, está recebendo doações para os desabrigados no município do Rio de Janeiro. O plantão está funcionando durante 24 horas e os donativos devem ser entregues na Praça da Cruz Vermelha, nª 10,  Centro do Rio. As necessidadades mais urgentes são colchonetes, fraldas, alimentos não perecíveis, leite em pó e roupas de cama. Outra parceria, desta vez com a
Empresa Hortifruti, do Espírito Santo, possibilitou a doação de mil cestas básicas e mil colchonetes. As cestas chegam na manhã desta quinta-feira (8) e os colchonetes na sexta-feira (9).

Toda a equipe da assistência social - envolvendo as CAS (Coordenadorias de Assistência Social), os CRAS (Centros de Referência de Assistência Social) e os CREAS ( Centros de Referência Especializados de Assistência Social),
educadores sociais e assistentes socias - está de plantão. Eles trabalham em conjunto com as secretarias de Educação, de Saúde e Defesa Civil, subprefeituras, regiões administrativas e associações de moradores.

As equipes estão no suporte aos abrigos emergenciais, identificando as demandas como doações de roupa, colchonetes, insumos básicos, além do cadastro das famílias para inserção em programas sociais.

FONTE: PORTAL DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO => WWW.RIO.RJ.GOV.BR

 

abril 05, 2010

Quando você não está

Não é que a vida seja insignificante, meu amor.
Não vou falar assim.
Mas é que sem você,
os dias sorriem menos.
Brincam quietinhos na sala,
temerosos da chuva da minha solidão.

março 30, 2010

Canvas

Brigas, jogos, sexo.
Cochilos, faxinas...
Caminhadas.
Noites esparramadas na rede.

Tudo isso é produto de tédio.

A poesia e a arte, essas não!
A poesia é o produto das sinapses que,
como guris serelepes, sorridentes e atentados,
correm e brincam na nossa cabeça.

A poesia é a moldura pro quadro da minha vida.

No Twitter...

Escrevia no ar, sem tinta, sem pena, sem letras. Gostava das coisas simples e dos versos de vento. #curtaconto

março 29, 2010

Da menina que cheirava uma carreira de pó diante dos meus olhos desfocados

Era uma menina bonita
que trabalhava na Vila Mimosa,
e cheirava uma carreira de pó.
E é só.

Que vou eu dizer?
Não posso fazer julgamento,
pois sabe lá qual é o sofrimento
de uma menina bonita
que trabalha na Vila Mimosa.

Pior eu que,
do alto dos dezesseis anos que ostentava
não conseguia olhar nos olhos da realidade,
que me batia na cara.

Questionamento

Não, eu não trouxe carregador pro celular.
Trago comigo carregador pra minha alma:
Poesias de Mário e Cecília.

março 24, 2010

testemunha ocular

Eu os vi, naquelas tardes de domingo, preguiçosamente jogados nos bancos da praça.
Eu os observei, temeroso, enquanto os dedos do rapaz roçavam calidamente as coxas dela, que desacortinavam-se daquela minissaia apertadinha. Suas pernas grossas espreguiçando a cada toque dos dedos queridos e os pézinhos que ritmavam alguma valsinha.
Eu vi os olhares de cumplicidade enquanto teciam sonhos vespertinos.
Eu via brotar de suas bocas artigos de decoração, estantes de livros, amparos para pratos, lençóis brancos trocados a cada três dias pelo excesso de uso.
Eu via um cachorro imaginário lhes rodeando e se coçando por falta de banho, e um gato tão preguiçoso quanto os donos a fofocar na janela, enquanto eles liam livros que lhes havia roubado a manhã na praia.
No chão, folhas e cadernos jogados às pressas, porque estudar é preciso, mas amar é maior do que isso.
Sempre se arranja tempo pra amar, e pra roçar os dedos entre as pernas dela sem que as crianças da praça vejam, sem que o cachorro peça atenção, sem que o gato mie, sem que o mestrado os enlouqueça...
Eu vi um caminho de liberdade e felicidade que saía das folhas de jornal que carregavam, naquelas tardes de domingo.
Hoje, que já trilharam esse caminho, já não os vejo mais nem a sua vida de imaginação.
Talvez, porque agora eles a vem.

março 19, 2010

Tratado de Paz

Depois da mágoa e da tristeza,
de batalhas travadas e vencidas,
de lambidas e curadas as feridas,
depois do sangue derramado,
da cera queimada, do sono desvelado,
da reza inexprimida nas lágrimas cativas,
depois de todo engodo residente
nas tentativas frustradas de paz,
os soldados não tem mais nome.
Depois da guerra acabada
Os nomes não tem mais rosto.

março 02, 2010

Mural de idéias aleatórias [2]

moto

velocidade

ruptura

abrupto

brusco 

estancar

estagnar (e-gor) 

Que ideias essas palavras te trazem? Eu ainda to processando...
Mas vou ficar satisfeita em ouvir vocês. Vai que me inspiram? Tenho certeza do potencial que meus amigos tem de me inspirar.

Ideia #1: As contribuições dadas vou adicionar ao mural, que serão adicionadas nas próximas produções. Contribua! 

fevereiro 18, 2010

A lágrima escondida

Bate ponto agora,
falta dois pra ir embora.
Prepara o corpo e a alma
Pro ô ô ô ô!
Empurra-empurra na plataforma.
Pastel e caldo na Central
porque o trem atrasou.
E agora, que saco!
Não pode nem fumar
Passa no telão a lei estadual.
Raspa a carteira aí
pra pagar a cerveja,
que com a greve do banco
o salário não entrou.
Pagando imposto e peru de ceia
a gente se aperta,
enquanto malandro anda tranquilo,
cheio de dinheiro na meia.
Então é carnaval!
Deixa eu sambar até me acabar!
Que enquanto eu suar ninguém me vê chorar.


Pra ouvir: http://blip.fm/~liuhb


Obrigada pela inspiração, Ricardo. Acho que caiu bem a música pro que eu sentia.
Se a gente tem liberdade de dizer o que nos insatisfaz, que falemos. Que possamos nos permitir agir também.

janeiro 27, 2010

Maniqueísmo

Ainda não sei
Se é benção ou maldição.

Tem gente que aclama, bate palma
diz ter inveja, queria ser igual.

Não vivo sem estar aqui,
sem isso aqui.
Sem me despejar toda
num ritual de exposição
e limpeza de coração.

Que seria de mim sem isso?
Nunca teria essa leveza.

Mas me diz se é benção ou maldição
escrever poesia ás quatro da manhã
encolhida, mas sem sentir frio
sentindo ela fluir feito um rio?

Porque rio não se pode impedir
Quem poderá a força da água parar?

Não vou me atrever.

Mas então, é benção ou maldição
viver sob um comando de um rio?

janeiro 13, 2010

E agora, amor?

Aqui me ponho em confissão,
pedindo também conselho.
Tem uma menina que me olha
Sorridente, no espelho.

E agora, amor?

Todos os meus versos
estão docemente corrompidos
por essa compleição.
Não há uma letra que não suspire
E contê-las nesse estado de euforia
parece um pecado, uma aberração.

E agora, amor?

Saltar dessa pedra - tão alta
e vencer qualquer vestígio
de medo e apreensão
parece a coisa mais certa.
Não viver esse momento
até que se esvaia a razão
parece irrazoável.

E agora, amor?

Toda noite insone
que eu não passe
a te observar dormir
parece sem sentido.

E agora, amor?

Na vitrola: Sara Bareilles_Gravity

outubro 09, 2009

Reconstrução

De mansinho e a modo quieto
foi juntando tijolinhos.
Com espátula e reboco
foi repondo pouco a pouco o seu eu.

Não avisou ninguém, muito menos quem o alquebrou.
Não queria dar vantagem a ninguém nesta corrida em que o prêmio era ele mesmo.
Tudo o que fora desconotado pelo desamor, o ciúme e o abandono era avocado com cuidado: os amigos, as noitadas, as amigas, as batidas e estampidos da cidade.

A lição que o amor traz
é que nunca se deixa pra trás
o cara que antes vivia sem amor.
Pois ninguém segue adiante
sem relembrar o que passou.

O cansaço corroeu o amor.
Foi como água infiltrada, eferrujando cano velho, e agora é fiação e encanamento, tudo tem que ser trocado!
O amor por ela troca por amor-próprio.

outubro 03, 2009

Pequeno grande mundo

Os membros permanecem anestesiados e a angústia

é crescente.

Os minutos passam com a rapidez de ano, são sobrepostos

veementemente.

Os andarilhos que buscam soluções caminham

penitentes.

Eu corro rua afora, posto que a necessidade de paz ainda é deveras

fremente.


Vou sair por aí, correr mais do que o mundo, pois de repente este se tornou grande demais pra mim...

setembro 30, 2009

Infância



Existe um momento em nossas vidas em que tudo muda.
Não é um evento, não é um ritual.
É como um piscar de olhos, um cometa riscando o céu.
É o primeiro dia da sua vida em que você pica a manga na cozinha em vez de chupá-la no pé.
É o dia em que você percebe que suas pernas estão longas demais e pular amarelinha parece sem propósito. Você quer muito continuar achando graça naquilo, mas suas anotações nos cadernos são diferentes, sua letra e sua voz mudaram.
Seus interesses mudaram.
Você não viu muito bem quando isso ocorreu, não é mesmo?
E não é que algo tenha se perdido, não é que a inocência se perdeu. Que conceito mais simplista esse!
Acontece que você cresceu.
Ali, sentada, comendo filetes de manga.

setembro 24, 2009

Deserto

São bolsas jogadas pelo chão e um excesso de almofadas em cima do sofá.
Bandeiras e estandartes arremessados contra os objetos e arregaçados nas paredes, esperando serem ostentados em alguma manifestação não-pacífica de clamor pela Ordem.
Esta Ordem que não me habita e que eu estou desistindo de encontrar.
Foi-se o tempo da minha busca, houve a época da procura.
Agora me perco com quantidade de imagens, fotos, desenhos e projetos de identidade.Vai ver a melhor saída é esperar tudo tomar vida, e um por um, esperar que esses ícones se encaixem em seu devido lugar.
Um a um.Um a um.Um a um?
Acontece que eu não posso esperar,meu bem!
São muitos discos pra tocar na vitrola, muitos livros pra se ler, muitas fotos a tirar, muitos lugares pra ver, muita gente a conhecer, analisar, internalizar, até que eu possa fazer desse quarto um deserto e me fazer cheia.
Cheia, porém flexível.

E esse papo é tão chato complexo e tá tão longe de acabar!

setembro 15, 2009

Coluna Social

Maria Antônia agora é estrela!

Desde que arranjou um bico como cantora na churrascaria do Seu Rei, assina autógrafos com letra primária pelas esquinas, posou pelada no jornal do bairro e matriculou sua filha em um curso de teatro.

Pubicou em nosso jornal o seguinte classificado:

Precisado violeiro pra acompanhar estrela.
Apareça na churrascaria a partir das 21h.


Que ascensão!

Refletidos