Outubro 09, 2009

Reconstrução

De mansinho e a modo quieto
foi juntando tijolinhos.
Com espátula e reboco
foi repondo pouco a pouco o seu eu.

Não avisou ninguém, muito menos quem o alquebrou.
Não queria dar vantagem a ninguém nesta corrida em que o prêmio era ele mesmo.
Tudo o que fora desconotado pelo desamor, o ciúme e o abandono era avocado com cuidado: os amigos, as noitadas, as amigas, as batidas e estampidos da cidade.

A lição que o amor traz
é que nunca se deixa pra trás
o cara que antes vivia sem amor.
Pois ninguém segue adiante
sem relembrar o que passou.

O cansaço corroeu o amor.
Foi como água infiltrada, eferrujando cano velho, e agora é fiação e encanamento, tudo tem que ser trocado!
O amor por ela troca por amor-próprio.

Outubro 03, 2009

Pequeno grande mundo

Os membros permanecem anestesiados e a angústia

é crescente.

Os minutos passam com a rapidez de ano, são sobrepostos

veementemente.

Os andarilhos que buscam soluções caminham

penitentes.

Eu corro rua afora, posto que a necessidade de paz ainda é deveras

fremente.


Vou sair por aí, correr mais do que o mundo, pois de repente este se tornou grande demais pra mim...

Setembro 30, 2009

Infância



Existe um momento em nossas vidas em que tudo muda.
Não é um evento, não é um ritual.
É como um piscar de olhos, um cometa riscando o céu.
É o primeiro dia da sua vida em que você pica a manga na cozinha em vez de chupá-la no pé.
É o dia em que você percebe que suas pernas estão longas demais e pular amarelinha parece sem propósito. Você quer muito continuar achando graça naquilo, mas suas anotações nos cadernos são diferentes, sua letra e sua voz mudaram.
Seus interesses mudaram.
Você não viu muito bem quando isso ocorreu, não é mesmo?
E não é que algo tenha se perdido, não é que a inocência se perdeu. Que conceito mais simplista esse!
Acontece que você cresceu.
Ali, sentada, comendo filetes de manga.

Setembro 24, 2009

Deserto

São bolsas jogadas pelo chão e um excesso de almofadas em cima do sofá.
Bandeiras e estandartes arremessados contra os objetos e arregaçados nas paredes, esperando serem ostentados em alguma manifestação não-pacífica de clamor pela Ordem.
Esta Ordem que não me habita e que eu estou desistindo de encontrar.
Foi-se o tempo da minha busca, houve a época da procura.
Agora me perco com quantidade de imagens, fotos, desenhos e projetos de identidade.Vai ver a melhor saída é esperar tudo tomar vida, e um por um, esperar que esses ícones se encaixem em seu devido lugar.
Um a um.Um a um.Um a um?
Acontece que eu não posso esperar,meu bem!
São muitos discos pra tocar na vitrola, muitos livros pra se ler, muitas fotos a tirar, muitos lugares pra ver, muita gente a conhecer, analisar, internalizar, até que eu possa fazer desse quarto um deserto e me fazer cheia.
Cheia, porém flexível.

E esse papo é tão chato complexo e tá tão longe de acabar!

Setembro 15, 2009

Coluna Social

Maria Antônia agora é estrela!

Desde que arranjou um bico como cantora na churrascaria do Seu Rei, assina autógrafos com letra primária pelas esquinas, posou pelada no jornal do bairro e matriculou sua filha em um curso de teatro.

Pubicou em nosso jornal o seguinte classificado:

Precisado violeiro pra acompanhar estrela.
Apareça na churrascaria a partir das 21h.


Que ascensão!

Setembro 11, 2009

Faxina

Ontem cuidei de mim.
Hoje cuidei da casa.
E ambos ainda se confundem!
Eu ainda sou minha morada.

Agosto 28, 2009

Despedida

“Eu desconfio
que o nosso caso está na hora de acabar
Há um adeus em cada gesto, em cada olhar
Mas não temos é coragem de falar.”
Fim de Caso – Dolores Duran



Meu amor,
Arrumei armários e gavetas da casa, como você pode bem ver.
Precisava reorganizar coisas na minha vida, consequentemente na cabeça e no coração.
Retirei tudo o que era velho, roto, mal-acabado ou mal-começado. Tudo aquilo que já não me causava sensações boas, que não me trazia lembranças alegres.
Vi nossas fotos. Você já reparou que nosso sorriso já não é mais o mesmo?Em algumas ele está mal-acabado. Em outras, nem começado está.
Nosso altar do amor já foi tão bem regado e a ele já dedicamos muito mais devoção.
A carne do nosso desejo já esteve tão melhor fornida. Hoje não preenche nem a superfície do toque de um dedo.
Nosso amor ficou velho e roto.
E é por isso,meu amor, que o nosso caso está na hora de acabar.
Deixa a tua chave embaixo do carpete, porque tirei do armário tudo que era nosso.
Ficou só o que era meu.
Adeus.


Este post foi em resposta ao meme que me foi indicado pela minha xuxu Adrielly.
Ele foi proposto por Daniele Vieira,para que os indicados fizessem uma carta como se rompesse com um certo alguém. A ideia foi inspirada na exposição Cuide de Você, da francesa Sophie Calle, que convidou 104 mulheres para interpretarem um e-mail de seu ex-namorado que gostaria de romper o relacionamento de ambos. As regras do meme são as seguintes:

1.: Escrever uma carta como se você estivesse rompendo com o seu (sua) namorado(a);
2.: Escrever estas regras e uma breve explicação do que é o meme (como a que fiz acima);
3.: Indicar cinco pessoas.
Meus indicados são a Ju, Lu Morena, Natália, Ademar, Dani.
Deixo o mesmo recado que a Adri deixou: sem obrigações,pessoal. Mas achei um bom exercício de escrita. Seria interessante ver o que sairia da cabeça de vocês.
Afinal, não é pra ser tão difícil,né? Quem nunca terminou um relacionamento?
Boa sorte aos indicados, boa leitura aos visitantes e...
...beijos xuxuzentos! =*

Refletidos

A imagem refletida

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Fern.
oi, xuxu. 24 anos, cariúcha, gremista, bacharel em Direito, amante das linguagens, arriscadora de garranchos noturnos. Viagens nas horas vagas, pro insight, outdoors ou concomitantes.
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