O Espelho

Contos, poesias, crônicas, palavras soltas e presas que demonstram as inúmeras facetas que um mesmo espelho reflete de uma única imagem.

Julho 08, 2009

Poema da definição e fuga

Em branco

É cura

É farol na tempestade

Destroços no acidente

Porto com isenção fiscal

Não preciso de desculpas

Pra aportar aqui.

 

Da ignorância, da miséria

Da solidão, da tristeza

Do esquecimento, da angústia

Do medo, da culpa

Do passado, pra tudo há escapatória.

Do teu amor,não há.

 

Junho 29, 2009

a menina ferida

Ah! As árvores balançam
na sua passagem
e as folhas festejam tua voz, menina ferida!
O vento gélido até parece
o prenúncio de uma noite atroz,
mas é o conforto das almas cansadas.

Desce a rua a largas passadas,
a menina ferida.
Como se alguém estivesse a lhe esperar.
Como se houvesse quem pudesse
Seu coração sangrento com as mãos abarcar.
Alguém de lábios balsâmicos
para sua ferida aberta beijar.
E lhe curar.
E lhe curar.

Cantarola inocente a menina
e as luzes da rua piscam
num sinal de festa em recepção.
A ferida não é visível ás coisas mundanas,
às intervenções cotidianas.

Somente olhos da alma
Veem a ferida.
Nem todo mundo sabe
da alma-menina aleijada.
Seu sorriso é tão bela cortina!
Quem diria da sua dor-menina?

As piores feridas
São invisíveis aos olhos carnais.

E que será de ti,ferida menina
quando a esperar-te à porta
estiver alguém que vem
pra te beijar, abraçar e curar?

Arrancar-te-á do peito
o coração falido
e curará a ferida
com um fremente bramido?
Um grito, uma ordem tenaz
que mande a dor
para as terras de Nunca Mais?

Ah, menina ferida!
Como do amanhã saberás?


Rio, 08 de junho 2009.

Junho 08, 2009

O fim

Recebido o aviso

Corri pro teu socorro

Band-aid eterno do meu coração.

Quis te estender bisturi,

gaze e esparadrapo.

Quis ser teu ombro,

canto pra teu coração-farrapo.

Mas era um arauto teu grito

Dor sem parada

Trem descarrilhado

Tragédia anunciada.

Era o fim.

Referência: Aconteceu_ Marisa Monte

Ouvindo: A Flor_Los Hermanos

Para uma grande amiga

Junho 01, 2009

Sapiência



Esta sapiência que eu tenho
desse teu desamor, desse teu fingimento
me dá um desalento
um nó que me aperta por dentro!
É igual vento encanado
quando sai desatinado
chovendo mundo afora.

Te aviso, mas vc não olha...
Um dia, sem demora
chove aqui dentro
e meu coração vai embora.

Maio 27, 2009

Retorno

Quando volto pra casa, sempre
Os aparatos da noite se recolhem.
Tudo se acolhe dentro de mim
E vira um espectro da minha memória.

Estão ali os gatos que brincam
As cafeterias, quiosques
As pessoas, tão diferentes
E ao mesmo tempo
Tão iguais entre si.
Tão enfadonhas...

Você também está ali
Com a sua apreciação inquieta
Dentro de olhos tão calmos.

Mas eu não estou mais ali.
Só quando eu me recolher
é que tudo irá embora.

Eu levarei tudo daqui
Quando me for.

Maio 14, 2009

Amor perdido

Ainda lembro com saudade
do amor sofrido.
Mas perco as esperanças
porque a oportunidade de ser feliz
fugiu de mim,
sumiu de mim.
Como se eu pastora fosse
de uma res no pasto, perdida.


Campo Novo do Parecis, MT, 05 de maio de 2009.

Maio 10, 2009

Canto

Aquele que me desvenda
É aquele que escuta meu canto,
Esta nota abafada e gemida.

Porque a minha existência
É deveras diáfana e fugaz
Para tão somente ela
Definir quem eu sou.

Campo Novo do Parecis, MT, 05 de maio de 2009.
Escrito na capa da Antologia Poética da Cecília Meireles.