junho 09, 2014

Labirinto

Vivo em uma eterna busca de mim mesma
E em caminhos ora sensoriais,
Ora espirituais
Me encontro e desencontro
Em um eterno e frustrante
Jogo infantil
Em que me procuro
Sem nunca entender
Que o objetivo do jogo
Se encerra justamente
Em quem o iniciou.

Você gosta de poesia?


Centro da cidade.

Sempre tem um chato perguntando se vc gosta de poesia.
Mas vc sabe o que é poesia?
E sabe mesmo se gosta dela?
O que é poesia?
É a beleza da vida captada por olhos humanos e traduzida em palavras, de forma que você passe a entender a poesia de cada um, a visão de cada um.
Logo, todo mundo é capaz de poesia. Apenas uns comunicam e traduzem a poesia de maneiras mais acessíveis pra uns e outros.

março 11, 2014

A quem interessar possa


Aos poucos, os pedacinhos do nosso sonho vão se desintegrando. E antes fosse o desintegrar que se dá às lembranças, inevitável. Mas não, de forma muito real nosso aparelho de resistência vai sendo desmantelado. Resistimos à descrença e ao mesmo tempo à esperança daqueles que acreditaram em nosso esquema, ao desfazê-lo.

Nosso ato de resistência teve seu tempo de duração necessário, rolou tudo.o que era preciso. Crescemos, julgamos, mudamos. Fomos nós, um e dois ao mesmo tempo e isso não é todo mundo que faz. Quase ninguém faz, aliás. Por isso, somos especiais, ao nosso modo. O que muitos consideram uma derrota, nós encaramos como apenas uma etapa, uma evolução da nossa história. Um desdobramento de nós dois, uma criação de filiais. Decidimos admitir que o amor é um negócio. Negócio que enlouquece, se você não pesa a necessidade do eu em nós. E talvez, dando prioridade ao eu, a gente vive melhor o nós.

setembro 29, 2012

O melhor livro é aquele que tira sua dúvida, independente de preço, autor ou editora.

janeiro 24, 2012

Festa da chuva

Aos que vêem cochilos preguiçosos,

longos capítulos de livros

lidos por cima do vapor

de xícaras de chá,

redes balançando monocórdicas,

meias de dedinho,

suspiros introspectivos,

olhos vidrados pelos raios,

em dias de chuva,

meu mais abandonado adeus.



Aos que vêem nas cores das nuvens

matizes de inúmeras cores pintando o

cinza,

beleza fluida na dança das árvores,

que balançam frenéticas no vento,

música nos pingos d'água batendo nos

prédios,

no chão, nas palmeiras,

e que carregam no peito a batida do

coração

pautada no tim-tim-tim desse batucar,

um caloroso aperto de mão

e um sorriso de solidariedade.





Som: Hyperballad _ Bjork

janeiro 12, 2012

Mural #2

Palavras jogadas, já que não consigo organizá-las em lugar nenhum. 
Nem na cabeça, nos ouvidos de quem se dispõe a me ouvir, enquanto deslizam cautelosa e medicamentosamente dos meus lábios...
Nem aqui.
Mas eu tenho tempo. Ou a ilusão da sua existência, da sua disponibilidade pra mim. E da minha pra ele.

dezembro 18, 2011

De onde eu vim?

Certeza que não foi daqui.
Eu gosto daqui e aqui gosta de mim,
mas nosso gostar foi um aprendizado.
Foi um fardo pesado, piano arrastado
pelos quarteirões das minhas novas ruas
esse aprender a gostar daqui.
Mas aconteceu e agora aqui não sai de mim.

Eu saí de lá, mas lá não saiu de mim.
E eu espero que seja sempre assim.
Mas ainda pergunto,
ainda me perguntam
de onde eu vim?

Eu vim de um trecho de caminho
em que ninguém anda sozinho,
acompanhado de gente e de boizinhos,
comendo revirado em beira de estrada.

Eu vim de uma flor de macela
que brotou na beira dessa estrada
e lá hoje habitam sorrisos do passado
que tornaram-se fotografias irreconhecíveis.
De pessoas irreconhecíveis.

São os mesmos rostos, mas não os mesmos sorrisos...

Eu vim de uma flor de macieira enregelada,
velada por olhos tristes e caridosos
que ainda esperam por mim,
ansiando por um afago que antes me foi dado
e agora posso, devo e quero retribuir.

Eu vim da terra, que abriga meu umbigo.
E do meu umbigo brotou um mundo inteiro,
recheado de araucárias, onde ficam trepadas catorritas
que gritam, gritam, gritam o dia todo e no fim da tarde!
Anunciando que ainda tem gente pra chegar...

Eu sou de todo lugar.
Parece injusto então, permanecer noutro lugar
e neste lugar só.

Mas eu não escolhi vir de todo lugar
e sabe lá onde irei parar!

Rio de Janeiro, 15/12/11

junho 05, 2011

Da poesia imortal

Mesmo quando o tempo corre
a poesia ocorre.
Pois se ela não acontece
quem é que me socorre?

Se a poesia não ocorre
uma parte de mim morre
e o tempo roe roe roe
as cordas que sustentam
as pontes que levam à felicidade,
que me levam à paz.

Mesmo o tempo sendo este roedor voraz,
paraliso o ratinho
a fim de dispensá-lo a favor da letra,
que no papel também corre.

Porque mesmo quando o rato corre
e foge desesperado no horizonte,
mesmo quando o tempo corre
levando do poeta a vida,
nem assim a poesia morre.

Refletidos

A imagem refletida

Minha foto

Gaúcha de nascimento, carioca de coração. Advogada, escritora incubada e apaixonada por cultura.