Ah! As árvores balançam
na sua passagem
e as folhas festejam tua voz, menina ferida!
O vento gélido até parece
o prenúncio de uma noite atroz,
mas é o conforto das almas cansadas.
Desce a rua a largas passadas,
a menina ferida.
Como se alguém estivesse a lhe esperar.
Como se houvesse quem pudesse
Seu coração sangrento com as mãos abarcar.
Alguém de lábios balsâmicos
para sua ferida aberta beijar.
E lhe curar.
E lhe curar.
Cantarola inocente a menina
e as luzes da rua piscam
num sinal de festa em recepção.
A ferida não é visível ás coisas mundanas,
às intervenções cotidianas.
Somente olhos da alma
Veem a ferida.
Nem todo mundo sabe
da alma-menina aleijada.
Seu sorriso é tão bela cortina!
Quem diria da sua dor-menina?
As piores feridas
São invisíveis aos olhos carnais.
E que será de ti,ferida menina
quando a esperar-te à porta
estiver alguém que vem
pra te beijar, abraçar e curar?
Arrancar-te-á do peito
o coração falido
e curará a ferida
com um fremente bramido?
Um grito, uma ordem tenaz
que mande a dor
para as terras de Nunca Mais?
Ah, menina ferida!
Como do amanhã saberás?
Rio, 08 de junho 2009.