julho 16, 2008

Ás minhas irmãs

Aqui eu me deito
Neste leito que já foi teu.
Deste corpo não usufrui mais,
esse corpo que já foi teu.

Destas posses não se gaba mais,
perdido amor meu.
Posto que perdeu-se o coração
outrora por ti habitado.

Vaga perdido o amor
e o antes luminoso desejo,
agora embarcado em navios de trevas.
Recai sobre as mulheres da casa
a antiga praga.

Qual foi a ancestral
que nos condenou a tal funesto destino?
Abandonadas pelo amor,
que perdeu-se na demência
e calado foi pela ira e o ciúme desmedido!

julho 14, 2008

Fumaça azul

Cumprimento minha velha companheira
enquanto me pergunto
onde deixei a caneta.

As palavras querem sair
mas ainda estão escolhendo quem vai primeiro.
Tiram par ou ímpar na porta da cabeça.

E a fumaça azul sobe...
Inspiro-a,
expiro as partidas de vôlei que não jogo mais.

Inspiro lembranças
e expiro a dor do tornozelo torcido.

Foi-se o último portador da fumaça azul
que restava no maço.

Restaram lembranças inúmeras pra respirar.

Do ódio

A minha caneta
É a minha melhor arma.
Fodam-se as facas lindas e brilhantes
Que eu adquiri a bom preço
E as minhas pistolas.

Eu me tornei uma psicótica,
uma ameaça á sociedade
por sua causa.

Mas eu não te culpo.
Nunca te culparia.
Nada é sua culpa, além do vazio.
O vazio é sua culpa.

A minha cegueira é sua culpa
A minha falta de tato é sua culpa.

Ah!

A minha Glock está na cabeceira
Esperando ser usada,
esperando por alguém
que não saiba o que dizer.

Frustração

18:00 h.
Melhor levantar, ela pensou.
A cabeça doía de leve enquanto suspendia pesadamente o corpo. Era como se a levantassem com um guindaste, tamanha a preguiça.
Pra uma pessoa tão cheia de energia, se considerava muito preguiçosa pra acordar.
O cansaço matava, ou melhor, a lembrava de que estava viva. E considerando algumas circunstâncias, isso era bom. Já tinha passado muito perrengue nessa vida.
Porém, por mais que o corpo não obedecesse aos seus comandos, a mente, a sua memória implacável, lembrava que hoje era preciso levantar.Hoje tem trabalho, disse pra si mesma, em voz alta.Não importa o quanto você bebeu ontem, sua vadia.Hora de levantar.
No banheiro minúsculo de ladrilhos azuis, bochechou com água da torneira. Tomada pela ressaca, bebeu um gole da bica mesmo.
Depois do banho, voltava a ser um ser humano e lembrava que era do sexo feminino. Óleo pro corpo, creme pro rosto, maquiagem de olhos marcados e boca de gloss.
Fez um sanduíche, vestiu um pretinho báscio. Bolsa-carteira, botas e trench-coat de couro fake preto e se sentia mulher de novo.

(continuará)

Refletidos

A imagem refletida

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Gaúcha de nascimento, carioca de coração. Advogada, escritora incubada e apaixonada por cultura.