setembro 28, 2010

O susto do primeiro adeus

Foi então a primeira vez
Que eu te disse adeus
Enquanto você fingia,
Mais uma vez,
Dizer adeus ao teu amor.

Que assustador!

Que temeridade me ver
Dando enfim um passo
Na direção oposta a você.

Mas é que já vi essa mão
Nesse movimento trôpego
E sem convicção
Dos que fingem se amar
Mas que no fundo não amam ninguém.

E isso, meus amigos, consegue ser ainda mais assustador do que um primeiro adeus.

setembro 21, 2010

Pra compreender a dor

E um dia você percebe que tudo não passou de uma válvula de escape pra insegurança.

Era tão insuportável sentir assim, ser assim! Impotente.

Ao se dar conta de que existem acontecimentos na vida da gente que são incontroláveis tem gente que perde o domínio de si mesmo e se deixa enrodilhar no turbilhão de idéias e sentimentos que advém da ausência de controle.

A inevitabilidade do sentir é tão excruciante quanto o próprio sentir!

O sofrimento antecipado que vem quando se percebe que no meio da estrada que passamos a trilhar estará um trecho escuro, incerto, de terreno instável e clima repleto de intempéries consegue transformar o trecho anterior ainda mais habitado de monstros noturnos do que o seguinte.

Sentindo-se incapaz de seguir, nos vestimos com mais casacos, uma capa de chuva, botas, fechamos os punhos em defesa.

Mas o que fazem aqueles que não carregam nada, que saem de casa sem lenço, sem documento, sem amor-próprio, sem instinto de sobrevivência, sem confiança?

A gente luta com as armas que tem ou foge pra lutar mais um dia.

E um dia você percebe que as drogas e a bebida evitam que você sinta a ansiedade, o medo e a dor, mas não levam nada disso embora.

No dia seguinte, nos damos conta de que aquela pessoa que acordou ao seu lado não vai te dar conforto nem amor, é só mais alguém com quem você se divertiu e não vai te trazer nada de novo nem nada demais.

Depois é que a gente vê que não adianta brigar consigo mesmo nem com outras pessoas.

Que não foi a vida que virou naquilo. É aquilo que faz parte da sua realidade agora, mas é só agora! Se você se permitir, vai passar.

Se você se permitir sentir, como uma represa quebrada que aos poucos se reconstrói, um dia a água para de vazar, a ferida fecha e a cicatriz deixa de doer. E o que era futuro vira passado.

Não adianta sofrer porque a dor vai chegar.

Não adianta enlouquecer porque não vai dar pra evitar.

E quando ela chegar e te abraçar, aceita.

Aceita porque cada um tem a companheira de que precisa. E não é que a gente mereça sofrer, mas às vezes a gente faz por onde sem perceber. A gente se sabota sem querer.

E vai passar! Se não há mais nada em que acreditar, acredita nisso:

Vai passar.

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Gaúcha de nascimento, carioca de coração. Advogada, escritora incubada e apaixonada por cultura.