dezembro 30, 2010

Cavalo d'água

Foto: Cavalos (arquivo pessoal)

A chuva trota elegante na calçada
até o momento em que desatina
perde rumo e estribeira
lava rua e leva carro!

Quando estanca a madrugada
deixa o povo aparvalhado
se perguntando onde esteve 
o cavalo que andara trotado. 

novembro 27, 2010

Feriado

Hoje o pastel na feira está mais barato
porque a filha do pasteleiro se formou
e o pasteleiro, feliz, barateou o ganha-pão.
E o tomate e a galinha,
o preço deles também abaixou.

Hoje é véspera de feriado
e as mães cozinham em casa.
E os pais que ainda estão lá
assistem futebol.

Hoje não tem ninguém pra pagar.
Nem leiteiro, padeiro, peixeiro, motoqueiro,
e a gente refestela no sofá
enquanto os moleques soltam pipa na rua.

Hoje a gente não trabalha,
mal sai de casa.
No mais, só telefona 
pra saber se está tudo bem.

É que amanhã não se sabe como será.

Já avisou que amanhã não tem feira?
Que o mercado nem o banco abrem?
Que os moleques não saem pra soltar pipa,
nem pra estudar?

Amanhã tem visita no morro.
Quem nunca se importou
se os meninos vão à escola,
se as mães tem frango na mesa,
se os pais amanhã trabalham,
amanhã eles vem visitar.

Amanhã a gente não trabalha,
mal sai de casa.
No mais, só telefona 
pra saber se está tudo bem.

Amanhã os meninos não soltam pipa.

Amanhã tem visita no morro.

Rio de Janeiro, 27 de novembro de 2010. 05:48 AM.

setembro 28, 2010

O susto do primeiro adeus

Foi então a primeira vez
Que eu te disse adeus
Enquanto você fingia,
Mais uma vez,
Dizer adeus ao teu amor.

Que assustador!

Que temeridade me ver
Dando enfim um passo
Na direção oposta a você.

Mas é que já vi essa mão
Nesse movimento trôpego
E sem convicção
Dos que fingem se amar
Mas que no fundo não amam ninguém.

E isso, meus amigos, consegue ser ainda mais assustador do que um primeiro adeus.

setembro 21, 2010

Pra compreender a dor

E um dia você percebe que tudo não passou de uma válvula de escape pra insegurança.

Era tão insuportável sentir assim, ser assim! Impotente.

Ao se dar conta de que existem acontecimentos na vida da gente que são incontroláveis tem gente que perde o domínio de si mesmo e se deixa enrodilhar no turbilhão de idéias e sentimentos que advém da ausência de controle.

A inevitabilidade do sentir é tão excruciante quanto o próprio sentir!

O sofrimento antecipado que vem quando se percebe que no meio da estrada que passamos a trilhar estará um trecho escuro, incerto, de terreno instável e clima repleto de intempéries consegue transformar o trecho anterior ainda mais habitado de monstros noturnos do que o seguinte.

Sentindo-se incapaz de seguir, nos vestimos com mais casacos, uma capa de chuva, botas, fechamos os punhos em defesa.

Mas o que fazem aqueles que não carregam nada, que saem de casa sem lenço, sem documento, sem amor-próprio, sem instinto de sobrevivência, sem confiança?

A gente luta com as armas que tem ou foge pra lutar mais um dia.

E um dia você percebe que as drogas e a bebida evitam que você sinta a ansiedade, o medo e a dor, mas não levam nada disso embora.

No dia seguinte, nos damos conta de que aquela pessoa que acordou ao seu lado não vai te dar conforto nem amor, é só mais alguém com quem você se divertiu e não vai te trazer nada de novo nem nada demais.

Depois é que a gente vê que não adianta brigar consigo mesmo nem com outras pessoas.

Que não foi a vida que virou naquilo. É aquilo que faz parte da sua realidade agora, mas é só agora! Se você se permitir, vai passar.

Se você se permitir sentir, como uma represa quebrada que aos poucos se reconstrói, um dia a água para de vazar, a ferida fecha e a cicatriz deixa de doer. E o que era futuro vira passado.

Não adianta sofrer porque a dor vai chegar.

Não adianta enlouquecer porque não vai dar pra evitar.

E quando ela chegar e te abraçar, aceita.

Aceita porque cada um tem a companheira de que precisa. E não é que a gente mereça sofrer, mas às vezes a gente faz por onde sem perceber. A gente se sabota sem querer.

E vai passar! Se não há mais nada em que acreditar, acredita nisso:

Vai passar.

agosto 04, 2010

Dividida


Um me liga que está com saudade,
o outro na cama me grita que também sente minha falta...
E eu, meu Deus, não tenho saudade de mim?

agosto 02, 2010

Equação

29 dez 2009

 

Não é que seja pequeno

o que se sente.

Mas é que eu não sou nada

sem o sentimento do outro.

 

Meu sentimento é grande,

mas fica muito vazio e sozinho

sem o sinal de mais e o teu coração ao lado.

julho 27, 2010

Sujeito vendado

Não sabe do que passa fora

aquele que não olha pra dentro.

Quem não se sabe

não é capaz de conhecer a dor alheia.

 

É digno de pena aquele

que nunca toma coragem

de lançar olhos ao seu redor.

 

Se não sabe da dor alheia

nem tenta sequer amenizar

a necessidade de quem quer que seja.

 

E jamais tomará consciência

de como sua própria dor é pequena.

 

29 dez 2009

julho 14, 2010

Que dia é hoje?

Os pombos realizam conferência

num canto da praça,

em volta de um pedaço de pão.

 

As senhorinhas da melhor idade

alongam e exercitam

seus velhos músculos...

E as crianças,

que na vida ainda estão em seu alvorescer,

São, então, só risada e contradição!

 

E é uma pena que meu ônibus tenha chegado

e eu não possa mais ficar aqui,

fingindo que é domingo.

 

#férias

 

30/03/2010

julho 12, 2010

Intendente Car Street

Que dilema!

Se eu compro um carro,

ganho uma bola.

 

Mas acho que tô na rua errada,

na loja errada!

Porque hoje eu não queria

ter que dirigir até o trabalho.

 

Hoje, eu queria só a bola,

um marzão azul na minha frente

e um espeto de queijo coalho.

 

Que preguiça!

 

#férias

 

30 mar 2010

 

Fernanda O. de Oliveira

  fernandaoxigenio@gmail.com

 

julho 07, 2010

Pedido de Marighela

20 dez 2009

 

Alimento para os que tem fome;

Chuva e rios para os que tem sede;

Alento para os pés cansados.

 

Poesia, para os sonhadores!

 

Dinheiro aos gananciosos.

Vitória aos ambiciosos.

Batalhas aos guerreiros

e ideologias aos filósofos.

 

Dai ao povo o que é do povo

e a Justiça para todos!

junho 30, 2010

Misenscène

Ele me convidou pra comemorarmos uma data imaginária, pra encenar em um palco que é só nosso os atos da peça que nós escrevemos enquanto engolimos as pílulas do cotidiano, na coxia.



As cortinas se abaixam no nosso teatro e a plateia se resume às sombras esmaecidas, à penumbra que o nosso texto exige.



Nossa peça é colaborativa e embora existam inúmeros personagens, o número de atores é reduzido. Somos protagonistas e elenco de apoio, tudo ao mesmo tempo, e só assim é que nossos personagens brilham.



E é quando eu tiro meus oclinhos de professorinha pra ensinar-lhe uma fala ou uma nova técnica que ele se recosta, assiste a meu show, bate palmas em fulgor total!



As cortinas se levantam.



Engolimos mais daquelas pílulas, que embora sejam feitas de rotina, são cheias de pequenas aventuras e risos na madrugada.


"Pra nós dois, sair de casa já é se aventurar..."

#nouveau

#naradiola #navitrola kings of leon_i want you

maio 27, 2010

Post-it

Antes que se acabe o dia
me lembre de apenas uma coisa!
Mesmo que tudo se atribule,
não posso esquecer da poesia.

Pois sem a sua presença,
os dias perdem sua leveza de nuvem
e o tempo é rijo feito pedra.

Sem uma ou duas palavrinhas de amor
A Terra fica como que preenchida
de líquido viscoso e denso
e fica tão difícil de se abraçar!

abril 17, 2010

tarde de sesta

nessa janela acortinada de lusco-fusco
pintada de cânticos entoados
pelos grilos em seresta,
nada é mais alegre, meu amor
que teu sorriso, projetado do meu travesseiro.

abril 07, 2010

Doações aos desabrigados das chuvas

Amigos,
 
nesse momento de calamidade é que podemos nos dar a chance de fazermos a diferença.
Por isso, estou publicando em todos os meus blogs, no dia de hoje, esta notícia do Portal da Prefeitura do Rio, conclamando aos que moram no Rio de Janeiro que façam doações em prol dos nossos irmãos que tanto perderam nas enchentes.
Se há como sermos solidários, não há motivos para dizermos não!
Conto com vocês para a divulgação!
 
Uma boa semana a todos nós, de muita Luz!
 
Beijos mil,
 
Fernanda Oliveira.
 
 
Secretaria Municipal de Assistência Social e Cruz Vermelha fecham parceria

Objetivo é ajudar vítimas das chuvas


07/04/2010


A Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), em parceria com a Cruz Vermelha, está recebendo doações para os desabrigados no município do Rio de Janeiro. O plantão está funcionando durante 24 horas e os donativos devem ser entregues na Praça da Cruz Vermelha, nª 10,  Centro do Rio. As necessidadades mais urgentes são colchonetes, fraldas, alimentos não perecíveis, leite em pó e roupas de cama. Outra parceria, desta vez com a
Empresa Hortifruti, do Espírito Santo, possibilitou a doação de mil cestas básicas e mil colchonetes. As cestas chegam na manhã desta quinta-feira (8) e os colchonetes na sexta-feira (9).

Toda a equipe da assistência social - envolvendo as CAS (Coordenadorias de Assistência Social), os CRAS (Centros de Referência de Assistência Social) e os CREAS ( Centros de Referência Especializados de Assistência Social),
educadores sociais e assistentes socias - está de plantão. Eles trabalham em conjunto com as secretarias de Educação, de Saúde e Defesa Civil, subprefeituras, regiões administrativas e associações de moradores.

As equipes estão no suporte aos abrigos emergenciais, identificando as demandas como doações de roupa, colchonetes, insumos básicos, além do cadastro das famílias para inserção em programas sociais.

FONTE: PORTAL DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO => WWW.RIO.RJ.GOV.BR

 

abril 05, 2010

Quando você não está

Não é que a vida seja insignificante, meu amor.
Não vou falar assim.
Mas é que sem você,
os dias sorriem menos.
Brincam quietinhos na sala,
temerosos da chuva da minha solidão.

março 30, 2010

Canvas

Brigas, jogos, sexo.
Cochilos, faxinas...
Caminhadas.
Noites esparramadas na rede.

Tudo isso é produto de tédio.

A poesia e a arte, essas não!
A poesia é o produto das sinapses que,
como guris serelepes, sorridentes e atentados,
correm e brincam na nossa cabeça.

A poesia é a moldura pro quadro da minha vida.

No Twitter...

Escrevia no ar, sem tinta, sem pena, sem letras. Gostava das coisas simples e dos versos de vento#curtaconto

março 29, 2010

Da menina que cheirava uma carreira de pó diante dos meus olhos desfocados

Era uma menina bonita
que trabalhava na Vila Mimosa,
e cheirava uma carreira de pó.
E é só.

Que vou eu dizer?
Não posso fazer julgamento,
pois sabe lá qual é o sofrimento
de uma menina bonita
que trabalha na Vila Mimosa.

Pior eu que,
do alto dos dezesseis anos que ostentava
não conseguia olhar nos olhos da realidade,
que me batia na cara.

Questionamento

Não, eu não trouxe carregador pro celular.
Trago comigo carregador pra minha alma:
Poesias de Mário e Cecília.

março 24, 2010

testemunha ocular

Eu os vi, naquelas tardes de domingo, preguiçosamente jogados nos bancos da praça.
Eu os observei, temeroso, enquanto os dedos do rapaz roçavam calidamente as coxas dela, que desacortinavam-se daquela minissaia apertadinha. Suas pernas grossas espreguiçando a cada toque dos dedos queridos e os pézinhos que ritmavam alguma valsinha.
Eu vi os olhares de cumplicidade enquanto teciam sonhos vespertinos.
Eu via brotar de suas bocas artigos de decoração, estantes de livros, amparos para pratos, lençóis brancos trocados a cada três dias pelo excesso de uso.
Eu via um cachorro imaginário lhes rodeando e se coçando por falta de banho, e um gato tão preguiçoso quanto os donos a fofocar na janela, enquanto eles liam livros que lhes havia roubado a manhã na praia.
No chão, folhas e cadernos jogados às pressas, porque estudar é preciso, mas amar é maior do que isso.
Sempre se arranja tempo pra amar, e pra roçar os dedos entre as pernas dela sem que as crianças da praça vejam, sem que o cachorro peça atenção, sem que o gato mie, sem que o mestrado os enlouqueça...
Eu vi um caminho de liberdade e felicidade que saía das folhas de jornal que carregavam, naquelas tardes de domingo.
Hoje, que já trilharam esse caminho, já não os vejo mais nem a sua vida de imaginação.
Talvez, porque agora eles a vem.

março 19, 2010

Tratado de Paz

Depois da mágoa e da tristeza,
de batalhas travadas e vencidas,
de lambidas e curadas as feridas,
depois do sangue derramado,
da cera queimada, do sono desvelado,
da reza inexprimida nas lágrimas cativas,
depois de todo engodo residente
nas tentativas frustradas de paz,
os soldados não tem mais nome.
Depois da guerra acabada
Os nomes não tem mais rosto.

março 02, 2010

Mural de idéias aleatórias [2]

moto

velocidade

ruptura

abrupto

brusco 

estancar

estagnar (e-gor) 

Que ideias essas palavras te trazem? Eu ainda to processando...
Mas vou ficar satisfeita em ouvir vocês. Vai que me inspiram? Tenho certeza do potencial que meus amigos tem de me inspirar.

Ideia #1: As contribuições dadas vou adicionar ao mural, que serão adicionadas nas próximas produções. Contribua! 

fevereiro 18, 2010

A lágrima escondida

Bate ponto agora,
falta dois pra ir embora.
Prepara o corpo e a alma
Pro ô ô ô ô!
Empurra-empurra na plataforma.
Pastel e caldo na Central
porque o trem atrasou.
E agora, que saco!
Não pode nem fumar
Passa no telão a lei estadual.
Raspa a carteira aí
pra pagar a cerveja,
que com a greve do banco
o salário não entrou.
Pagando imposto e peru de ceia
a gente se aperta,
enquanto malandro anda tranquilo,
cheio de dinheiro na meia.
Então é carnaval!
Deixa eu sambar até me acabar!
Que enquanto eu suar ninguém me vê chorar.


Pra ouvir: http://blip.fm/~liuhb


Obrigada pela inspiração, Ricardo. Acho que caiu bem a música pro que eu sentia.
Se a gente tem liberdade de dizer o que nos insatisfaz, que falemos. Que possamos nos permitir agir também.

janeiro 27, 2010

Maniqueísmo

Ainda não sei
Se é benção ou maldição.

Tem gente que aclama, bate palma
diz ter inveja, queria ser igual.

Não vivo sem estar aqui,
sem isso aqui.
Sem me despejar toda
num ritual de exposição
e limpeza de coração.

Que seria de mim sem isso?
Nunca teria essa leveza.

Mas me diz se é benção ou maldição
escrever poesia ás quatro da manhã
encolhida, mas sem sentir frio
sentindo ela fluir feito um rio?

Porque rio não se pode impedir
Quem poderá a força da água parar?

Não vou me atrever.

Mas então, é benção ou maldição
viver sob um comando de um rio?

janeiro 13, 2010

E agora, amor?

Aqui me ponho em confissão,
pedindo também conselho.
Tem uma menina que me olha
Sorridente, no espelho.

E agora, amor?

Todos os meus versos
estão docemente corrompidos
por essa compleição.
Não há uma letra que não suspire
E contê-las nesse estado de euforia
parece um pecado, uma aberração.

E agora, amor?

Saltar dessa pedra - tão alta
e vencer qualquer vestígio
de medo e apreensão
parece a coisa mais certa.
Não viver esse momento
até que se esvaia a razão
parece irrazoável.

E agora, amor?

Toda noite insone
que eu não passe
a te observar dormir
parece sem sentido.

E agora, amor?

Na vitrola: Sara Bareilles_Gravity

Refletidos

As imagens anteriormente refletidas

A imagem refletida

Minha foto

Gaúcha de nascimento, carioca de coração. Advogada, escritora incubada e apaixonada por cultura.