abril 08, 2011

Wellington, o novo Macunaíma

Este é um momento de dor para todos nós brasileiros, pois todos nós ou temos filhos ou irmãos, sobrinhos e primos que estudam e estão sob proteção do Estado quando frequentam suas escolas (públicas). Nunca desconfiamos que neste ambiente nossas crianças poderão estar em perigo. Porém, não contamos também que um colega de classe tímido, introvertido e vítima de brincadeirinhas ocasionais dos outros alunos seja alguém que precisa de atenção, carinho e um ombro amigo. Não imaginamos que essa pessoa, por falta de carinho e atenção, um dia alcance um nível de stress psicológico tão grande que deixa de ser um ser humano capaz de empatia com o sofrimento de outras pessoas.
Quando uma pessoa com este perfil comete uma loucura como essa, não devemos alimentar sentimentos de ódio e vingança, apenas de piedade por este espírito perturbado, a quem provavelmente faltou a compreensão do amor e do carinho que sua família lhe deu durante sua formação.
É lamentável quando uma pessoa sem amor distribui a desgraça dentre pessoas que se amavam, como é Wellington fez com essas crianças e seus pais, vizinhos, amigos e parentes. Pior ainda e incompreensível quando é uma pessoa que teve o amor de seus familiares.
Às famílias vítimas dos ideais errôneos desse menino - menino porque quantos de nós temos filhos de 20 e poucos anos e ainda os consideramos meninos - merecem todo tipo de oração, solidadariedade, apoio e vibrações positivas pra que possam seguir suas vidas APESAR da tragédia.
Embora à custa de vidas inocentes, vejo que Wellington agora é uma espécie de anti-herói. Não por que ele é o vilão, mas porque ele é o herói ao avesso. Há quanto tempo nossas autoridades e até mesmo nós, a sociedade, não nos insurgíamos quanto à falta de segurança nas nossas escolas, contra a qualidade de ensino precário, quanto às condições terríveis de trabalho de nossos professores, quanto a atenção dada ao futuro de nosso país, as crianças?
Desde quando a sociedade discute o problema do bullying seriamente?
Esta loucura que Wellington Pereira de Menezes cometeu pode ter sido o gatilho para que venhamos a levar a questão da educação e do tratamento oferecido por nós, sociedade e iniciativa privada, e pelo Estado à questão da educação em lato sensu mais a sério, com a seriedade, responsablidade e o compromisso que merece.
Vai ver a gente precisava de um chacolhão pra entender que nossas cranças estão abandonadas à própria sorte! Será que não é esse o momento de resgatá-las?
Se pudermos repensar e debater todas essas questões, procurar soluções e cobrar atitudes de nossos governantes, estas crianças serão mártires, mas Wellington será um marco.
No final, a resposta é uma só: AMOR.

2 comentários:

lisandra.morais disse...

Me desculpe mas discordo totalmente. Não jogue a culpa da atrocidade que esse louco fez na sociedade. CADA UM É RESPONSÁVEL PELOS SEUS ATOS. Isso é maldade e loucura, não desvie a culpa dele... NADA JUSTIFICA, NADA NADA NADA!

Fern. disse...

Lisandra, em nenhum momento disse que o ato de Wellington era justificável. É no máximo compreensível, para aqueles dispondo de um belo diploma em psicologia.
O enfoque que eu desejo dar é para as atitudes que poderiam minimizar alguns fatores-gatilho desse comportamento esquizofrênico do agente, no caso, Wellington.
Também tenho só a vontade de demonstrar que podemos nos utilizar desse acontecimento pra debatermos assuntos-tabu da nossa sociedade. E eu não falo de segurança pública...

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Gaúcha de nascimento, carioca de coração. Advogada, escritora incubada e apaixonada por cultura.