junho 27, 2005

meu abandono

Não posso abandonar a mim mesma.
Eu sou a tua cintura,
morena e cheirosa
com dobrinhas
que só eu percebo
e pintinhas que até hoje
só eu tive coragem de contar.

Eu sou as linhas do teu rosto,
aquelas que em outra poesia eu já desenhei.
Naquelas noites em que eu pensei
Que você era tão inocente quanto eu
E que tinha a mesma índole que eu.

Essas linhas passadas dedo a dedo,
que tracei na tua pele oleosa
enquanto eu ria dos teus preconceitos,
das tuas infantilidades,
da maneira que você me recriminava
por ser eu mesma.

Agora, eu sento aqui e te julgo
quando não tenho o mínimo direito.
E isso não sou eu.Não mais.
Eu sou a dor pungente,cortante e lancinante.
A dor que uiva nas ruas
em que passeioe toma vida na minha voz.

Vou ter que me abandonar.
Deus,bom Deus,dai-me forças!

Um comentário:

Ricardo Almeida disse...

Resgatar o riso, lembrar de não julgar, abandonar-se para se reencontrar.
bjs

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Gaúcha de nascimento, carioca de coração. Advogada, escritora incubada e apaixonada por cultura.