agosto 24, 2008

Meninos

Ah, meninos!
Gosto das suas cinturas
Sejam elas como forem.
Minto, gosto das suas peles,
Sejam elas da cor que forem.
O que me importa é o cheiro,
Aquele cheiro de "te quero".

Gosto das suas mãos grandes
E dedos finos de pianista,
Quando não daquelas com nós nos dedos,
Nós que eu gosto de morder.
Nós que se formam pela mania de estalar.

As mãos estalam porque são nervosos, neuróticos
Controladores, possessivos, porque amam demais.
Alguns amam demais a si mesmos.

Ah, mas eu gosto quando sorriem!
Ah, quando sorriem...
Quando brincam feito moleques,
Quando correm desengonçados
E falam besteira, só por sorrir.
Eu amo os meninos quando sorriem.

E me apiedo quando choram,
E gozo quando sofrem,
Porque sou doente...
Porque prefiro vê-los assim,
Vulneráveis e cansados,
São mais fáceis de alcançar...

Ah, meninos...

3 comentários:

Anônimo disse...

Alguns meninos cansados são vulneraveis, outros abatidos são tristes e patéticos, fáceis de se dominar e pouco desafiam uma mulher. Mas alguns meninos cansados de meninas más são teimosos e carregam sorrisos descartaveis para todo tipo de ocasião. Esses são os mais perigosos, por que carregam a malícia experiênte e a pureza do propósito. Cabe a ti decidir sobre que tipo de menino quer escrever. Mas se vier a escrever sobre o segundo, substitua "meninos" por "homens".

Fernanda disse...

Meninos costumam se achar mais do que são. Costumam se achar muito homens msm...quando não são. Por isso continuam meninos por tanto tempo.

Lu Morena disse...

Uma resposta àquela música, Garotos.
Nem todo menino é um homem, mas todo homem é um menino. Acho que não tem jeito...

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Gaúcha de nascimento, carioca de coração. Advogada, escritora incubada e apaixonada por cultura.