junho 29, 2009

a menina ferida

Ah! As árvores balançam
na sua passagem
e as folhas festejam tua voz, menina ferida!
O vento gélido até parece
o prenúncio de uma noite atroz,
mas é o conforto das almas cansadas.

Desce a rua a largas passadas,
a menina ferida.
Como se alguém estivesse a lhe esperar.
Como se houvesse quem pudesse
Seu coração sangrento com as mãos abarcar.
Alguém de lábios balsâmicos
para sua ferida aberta beijar.
E lhe curar.
E lhe curar.

Cantarola inocente a menina
e as luzes da rua piscam
num sinal de festa em recepção.
A ferida não é visível ás coisas mundanas,
às intervenções cotidianas.

Somente olhos da alma
Veem a ferida.
Nem todo mundo sabe
da alma-menina aleijada.
Seu sorriso é tão bela cortina!
Quem diria da sua dor-menina?

As piores feridas
São invisíveis aos olhos carnais.

E que será de ti,ferida menina
quando a esperar-te à porta
estiver alguém que vem
pra te beijar, abraçar e curar?

Arrancar-te-á do peito
o coração falido
e curará a ferida
com um fremente bramido?
Um grito, uma ordem tenaz
que mande a dor
para as terras de Nunca Mais?

Ah, menina ferida!
Como do amanhã saberás?


Rio, 08 de junho 2009.

4 comentários:

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Fern,

Você sabe escrever, porque sabe, né? Que lindo! Quando o golpe é na alma, fica difícil fazer um curativo. Mas quando abrimos o coração, tudo se renova.

Beijo grande, menina linda.

Rebeca

-

Gabi disse...

As piores feridas
São invisíveis aos olhos carnais.


BAH!

Dora disse...

Bom, um dos maiores problemas é que às vezes a dimensão da dor da menina é superior demais ao tamanho da menina. A dor não é de menina. E certas feridas não visíveis nem palpáveis, mas são muito mais dolorosas por isso. Não sabemos ao certo onde começa e onde termina.
Lindo post.
Um cheiro grande.

e-gor disse...

Virei marcador e nem tive coragem de me comentar. Absurdo! Você me faz querer viver, e ler você tá me fazendo querer voltar a blogar. Você é mesmo mágica, meu amor! Eu te amo e lhe sou grato pra sempre por tudo o que você fez e faz na minha vida! O mínimo que eu posso fazer é retribuir, à minha maneira, tudo o que você me faz sentir.

Te amo, sempre e pra sempre! (L)

N.

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Gaúcha de nascimento, carioca de coração. Advogada, escritora incubada e apaixonada por cultura.