setembro 23, 2007

A casa rosa

Na rua das margaridas
do bairro das flores
tem uma casa rosa
Aonde não há amor.

As pessoas lá dentro
estão sempre muito cansadas
para se dar as mãos,
para trocar beijos e carinhos
e palavras doces.

Há, sim, troca de críticas,
olhares hostis,
cumprimentos obrigacionais
e ouvem-se risadas ocasionais.

E cada um, no seu aposento
Chora solitário,
sem alento.

Embora não falte nada,
nem roupa, nem comida
nem etiqueta, nem abrigo
há sempre sorriso fingido
e dedo cutucando ferida.

3 comentários:

Adrielly disse...

"Embora não falte nada,
nem roupa, nem comida
nem etiqueta, nem abrigo
há sempre sorriso fingido
e dedo cutucando ferida."

Me lembrou a minha casa.
=)

Cada um no seu canto e quando
se quer chora cada qual sozinho.
x)

Privacidade demais vira solidão.

Lu Morena disse...

Adorei as rimas!

Esse poema é tão atual... e quase universal. Essa semana eu tava lendo umas páginas de um romance da Fernanda Young ("Cartas para alguém bem perto"), onde se falava nisso, nos cumprimentos obrigacionais, nas reclamações desnecessárias, no esquecimento das coisas boas...

Bjins!

Anônimo disse...

Engraçado, me faz lembrar a minha própria casa . . .

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Gaúcha de nascimento, carioca de coração. Advogada, escritora incubada e apaixonada por cultura.